SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Leise Aparecida Cruz, 40, foi encontrada morta dentro de casa em Anastácio (MS) após o companheiro dela, Edson Campos Delgado, 43, agredi-la.
Em uma primeira versão, Edson Delgado afirmou que ela teria morrido após um infarto fulminante. No entanto, a Polícia Civil encontrou indícios de que a morte havia sido violenta e o homem confessou o crime.
Homem foi preso. Segundo a Polícia Civil, ele foi conduzido à unidade policial e permanece à disposição da Justiça. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Edson Campos Delgado até a publicação deste texto.
Delgado informou à família que Leise estava passando mal. Em prints de conversas divulgados pela filha de Leise, Leisiane Cruz Vieira, Edson enviou mensagem na noite de sexta-feira (6), por volta das 23h40. "A sua mãe está deitada, meio fraquinha. Liguei para o Samu para vir aqui. (...) Qualquer coisa, se demorar muito, eu vou levar ela de carro", afirma, em trecho de áudio divulgado pela filha. Em outro print, marido afirma que Leise teria sofrido um infarto fulminante. "Repentinamente ela partiu", disse ele. Segundo a filha, no início, a versão foi aceita pelos familiares.
Ele teria usado o celular da mulher para falar com a família. Leisiane ainda afirma que recebeu mensagens pelo celular da mãe em um horário que, mais tarde, descobriu que ela já estava morta. "Na sexta-feira, dia 06/03/2026, às 08h30 da manhã, recebi uma mensagem no WhatsApp da minha mãe, como ela sempre mandava no mesmo horário: 'Bom dia flor do dia, como está o Ravi?'. Era exatamente assim que ela falava comigo todos os dias. Eu respondi normalmente, sem imaginar que quem tinha enviado aquela mensagem não era minha mãe? era o autor do crime. Ele usou as mesmas palavras que ela sempre usava, talvez tentando despistar, talvez tentando ganhar tempo. Mas a verdade cruel é que minha mãe já estava morta desde cedo naquele dia. Depois dessa mensagem, o WhatsApp dela simplesmente desapareceu."
Polícia encontrou corpo de Leise dentro de casa. Em nota, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informou que, por meio de investigações e um exame necroscópico, "surgiram elementos que apontavam para possível morte violenta".
Mais tarde, Edson confessou ter agredido Leise durante uma discussão. Segundo a polícia, ele afirmou ter segurado a mulher pelo pescoço e a empurrado contra a parede, o que resultou na morte dela. A morte só foi divulgada para a família na madrugada de sábado (7), segundo a filha.
"Às 01h58 da madrugada, ele ligou para o meu esposo dizendo que minha mãe tinha acabado de falecer. Mas a verdade que descobrimos depois destruiu ainda mais o nosso coração: minha mãe já estava morta desde aproximadamente 7h da manhã do dia 6. Durante todo aquele dia, enquanto acreditávamos que ela estava bem, ela já não estava mais entre nós", disse Leisiane Cruz Vieira, em publicação nas redes sociais.
Autópsia teria apontado que o pescoço dela foi quebrado. A informação foi passada à família pelo IML (Instituto Médico Legal) e consta no atestado de óbito, segundo Markus Morais, genro da vítima. O órgão e a polícia civil ainda não confirmaram à reportagem a causa da morte.
Filha diz que mãe reclamava de comportamento abusivo de companheiro. Em trecho de publicação nas redes sociais, Leisiane diz que mãe era uma pessoa "extremamente alegre, cheia de vida, cheia de luz" e que "ela iluminava qualquer ambiente". No entanto, segundo a filha, "quando começou a viver com esse indivíduo, sua luz foi se apagando aos poucos".
"Eu escutava diariamente o sofrimento dela. Minha mãe me relatava muitas vezes como vivia um relacionamento abusivo. Dizia que ele era uma pessoa ruim, que era o pior homem que já tinha passado pela vida dela. Muitas vezes ela dizia que permanecia naquela relação apenas por causa do meu irmãozinho de 3 anos, filho dele", disse Leisiane Cruz Vieira em publicação nas redes sociais.
Família pede justiça pela morte de Leise. "Minha mãe não era apenas mais um nome. Ela era filha. Ela era mãe. Ela era amiga. Ela era uma mulher cheia de sonhos. Uma mulher que lutava pelos filhos todos os dias. E teve sua vida tirada de forma brutal. Na véspera do Dia das Mulheres, minha mãe se tornou mais uma vítima do feminicídio que assola tantas famílias. Hoje escrevo com o coração destruído, mas também com a certeza de que a verdade precisa ser conhecida. Minha mãe merece justiça. Minha mãe merece que sua história seja ouvida. Minha mãe merece que sua voz não seja silenciada", escreveu a filha nas redes sociais.
EM CASO DE VIOLÊNCIA, DENUNCIE
Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie
Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.
Também é possível realizar denúncias pelo número 180 -Central de Atendimento à Mulher- e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.