SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O céu de Teerã escureceu em pleno dia após explosões em depósitos de petróleo na região da capital iraniana neste domingo (08). A fumaça densa gerada pelos incêndios bloqueou a luz solar e gerou alertas sobre poluição extrema do ar e risco de chuva ácida, segundo autoridades iranianas e órgãos internacionais.

A escuridão foi causada pela combinação de fumaça espessa e nuvens. A Organização Meteorológica do Irã explicou que o fenômeno observado na capital ocorreu por causa da mistura entre a fumaça dos incêndios e a cobertura de nuvens sobre a cidade. Segundo as autoridades, nas áreas mais próximas aos focos de incêndio a escuridão era mais intensa. A concentração de partículas no ar pode reduzir drasticamente a entrada de luz solar, criando a impressão de que o dia "virou noite".

Os incêndios liberaram gases e partículas típicos da queima de petróleo. A Sociedade do Crescente Vermelho do Irã informou que as explosões e a queima de combustível liberaram grandes quantidades de substâncias tóxicas na atmosfera. Segundo a instituição, foram emitidos hidrocarbonetos, além de óxidos de enxofre e de nitrogênio, gases associados à combustão de derivados de petróleo e conhecidos por formar poluentes atmosféricos perigosos.

Esses gases podem reagir na atmosfera e gerar chuva ácida. Quando óxidos de enxofre e de nitrogênio se misturam com vapor d'água na atmosfera, eles podem formar ácidos que retornam ao solo na forma de chuva ácida. O Crescente Vermelho iraniano alertou para essa possibilidade após os incêndios, diante do volume de poluentes liberados e da presença de uma grande nuvem de fumaça sobre a região metropolitana de Teerã.

Organizações internacionais apontam riscos semelhantes em eventos com liberação química. A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que episódios com liberação deliberada ou acidental de substâncias químicas podem espalhar gases e partículas perigosas pelo ar, afetando grandes áreas urbanas e expondo a população a compostos tóxicos. Segundo a entidade, esses eventos podem provocar irritação respiratória, contaminação ambiental e efeitos prolongados na saúde pública.

Autoridades recomendaram que a população evitasse exposição à fumaça. Diante da poluição gerada pelos incêndios, autoridades iranianas orientaram moradores a permanecer em ambientes fechados, evitar atividades ao ar livre e reduzir a exposição direta ao ar contaminado. O alerta foi reforçado pelo Crescente Vermelho, que destacou os riscos da inalação de gases tóxicos e partículas liberadas pela queima de petróleo.

Líderes ambientais iranianos classificaram o episódio como um crime ambiental. A vice-presidente do Irã e chefe da Organização de Proteção Ambiental do país, Shina Ansari, afirmou que as explosões e incêndios provocaram a liberação de "grandes volumes de poluição do ar". Em um comunicado, ela disse que a capital ficou "cercada por uma camada de fumaça" e classificou o episódio como um caso de "ecocídio", termo usado para descrever danos ambientais graves causados em contextos de guerra.