RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O PSD quer recorrer ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), à Polícia Federal, à PGR (Procuradoria-Geral da República) e ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) para apontar o que considera um uso político da Polícia Civil do Rio de Janeiro na investigação contra o vereador Salvino Oliveira (PSD), preso sob suspeita de elo com o Comando Vermelho.

O deputado federal Pedro Paulo, presidente do PSD-RJ, afirmou que pretende ir "às últimas consequências" contra o que chamou de "transformação da Polícia Civil numa Gestapo", em referência à polícia política do regime nazista.

"Ele foi preso com base em uma mensagem de um terceiro que não recebeu nenhuma resposta", disse o deputado.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que a investigação "foi conduzida com rigor técnico e seriedade e não possui lado político".

"Prova disso é que a operação cortou na própria carne do Estado, com a prisão de seis policiais militares, incluindo dois oficiais. A Polícia Civil não escolhe alvo por posição política, por grupo ou por conveniência. Durante uma investigação, caso apareçam provas de crime, a polícia faz o que a lei manda: investiga, pede a prisão à justiça e captura. Por todos esses fatos, a operação que resultou na prisão do vereador foi legal e legítima, baseada em provas técnicas", afirma a corporação, em nota.

A audiência com Moraes tem como objetivo apontar supostos vínculos da apuração com o inquérito conduzido pela PF, sob supervisão do ministro, sobre a infiltração do crime organizado em instituições públicas. Pedro Paulo vê relação entre o caso e a investigação contra o ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho.

- Ex-secretário de Paes foi preso com base em uma mensagem que cita seu 1º nome

O STJ e a PGR serão acionados com uma representação criminal para apurar o suposto uso político da Polícia Civil contra opositores do governador Cláudio Castro.

"Não vamos deixar que eles criminalizem a política. Não vamos permitir a instrumentalização da polícia, de forma parecida com o que fez o juiz Marcelo Bretas, em 2018", disse o deputado.

Pedro Paulo faz referência à atuação de Bretas, que marcou um depoimento de um ex-secretário do prefeito Eduardo Paes (PSD) às vésperas da eleição de 2018 ao governo estadual, na qual Wilson Witzel foi eleito governador e Castro, vice. O magistrado foi punido pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) pela prática.

Salvino foi preso sob suspeita de ter se vinculado com o Comando Vermelho para atuar politicamente na favela Gardênia Azul, na zona sudoeste da cidade.

A base para a prisão é uma única mensagem enviada, segundo o relatório, por Elder Landim, o "Dom", apontado como administrador do Comando Vermelho em Gardênia Azul, para Edgar Alves de Andrade, o Doca, um dos principais líderes da facção. Ela diz o seguinte: "Chefe, acabou de me ligar o Landerson, sobrinho da Tia Márcia, falando que o Pé e você autorizaram o Salvino a trabalhar e que é pra eu dar suporte e ajudar nos projetos deles. Procede?"

O relatório da polícia que solicitou a prisão temporária não aponta outras provas para indicar que o "Salvino" mencionado na mensagem considerada suspeita é o vereador. A partir do nome, o documento afirma que o vereador teve como slogan de campanha "vereança das favelas do Rio" e o destacou ser "cria da Cidade de Deus", o vinculando ao diálogo entre dois integrantes do CV.

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