RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), voltou a criticar a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), ex-secretário municipal, e classificou a medida como uso político da polícia. Paes afirmou nesta sexta-feira (13) que recebeu recados de uma possível admissão de erro na prisão preventiva do parlamentar, mas não mencionou a autoria da mensagem.
A prisão de Salvino gerou um embate político entre Paes, pré-candidato de oposição ao Governo do Rio de Janeiro, e Cláudio Castro (PL). O prefeito afirma ver na prisão sinais de uso eleitoreiro da Polícia Civil, sob o comando do delegado Felipe Curi, que almeja disputar o Palácio Guanabara ou uma cadeira da Câmara dos Deputados.
Salvino, aliado de Paes e ex-secretário da Juventude da prefeitura, foi preso nesta semana sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho no estado. O relatório apresentado pela polícia para embasar o pedido de prisão cita uma mensagem que menciona o primeiro nome do parlamentar em uma conversa entre membros da facção.
Paes disse que deputados do PSD devem se reunir nesta sexta com o superintendente da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sob justificativa de que a prisão foi para uso político. A defesa de Salvino protocolou pedido de habeas corpus.
"Se Deus quiser ele vai ser liberado hoje. Não posso contar publicamente as explicações indiretas que eu já recebi, recados, dizendo 'é, realmente erramos'. Ou admitem publicamente o erro ou são covardes mais ainda", afirmou Paes durante agenda com o presidente Lula (PT) no hospital federal do Andaraí.
Esta foi a última agenda de Paes à frente da prefeitura com Lula. Ele disse que deve deixar o cargo na semana que vem para focar na candidatura ao governo do estado. Durante discurso, chamou o governo Cláudio Castro (PL) de "corja de covardes".
"Bandidos, delinquentes. Já falei para eles: querem fazer maldade, venham para cima de mim."
Segundo membros da prefeitura, parlamentares do PSD também teriam recebido, de membros do governo que não tiveram os nomes mencionados, a possível admissão de que houve erro na prisão do vereador.
O prefeito disse ainda que parlamentares do partido querem comunicar o caso ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), "para que o uso político que esses covardes fizeram seja apurado". Durante a agenda, Paes contou a Lula a história da relação com Salvino e afirmou que a prisão ocorreu pelo fato de o vereador ser aliado do prefeito.
"Quem vai enfrentá-los sou eu. Se eles têm algum objetivo de me alcançar que me investigue, que venham para cima de mim, que não sejam covardes de ir para cima de um jovem vereador para me atingir."
Em nota, a Polícia Civil afirmou que a Operação Red Legacy foi "legal e legítima, baseada em provas técnicas". "A investigação foi conduzida com rigor técnico e seriedade e não possui lado político. Prova disso é que a operação cortou na própria carne do Estado, com a prisão de seis policiais militares, incluindo dois oficiais", diz a nota.
A assessoria de Cláudio Castro afirmou na quinta-feira, quando o prefeito já fazia críticas públicas à investigação, que "estranha que o prefeito esteja adotando esse tipo de comportamento, tentando politizar uma investigação conduzida de forma totalmente legal".
"Ao fazer esse tipo de insinuação, acaba colocando sob questionamento não apenas o trabalho da Polícia Civil, mas também a atuação do Ministério Público e do Poder Judiciário."
Vídeos divulgados pelo governo mostram busca e apreensão na residência de Salvino. Em uma das cenas, aparece uma placa eleitoral da campanha de 2024, com foto de Salvino e Paes juntos.
O relatório da Polícia Civil, que solicitou a prisão temporária, não aponta outras provas para indicar que o "Salvino" mencionado na mensagem considerada suspeita é o ex-secretário do prefeito. A partir do nome, o documento afirma que o vereador teve como slogan de campanha "vereança das favelas do Rio" e o destacou como "cria da Cidade de Deus", vinculando-o ao diálogo entre dois integrantes do Comando Vermelho.