SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A concessionária Enel é apontada pela maioria da população como a principal responsável pelos apagões nas cidades atendidas pela distribuidora, segundo pesquisa Datafolha em 71 municípios do estado de São Paulo. O levantamento mostra que a culpa pelas falhas no serviço está longe de colar nas gestões do prefeito Ricardo Nunes (MDB), do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com o levantamento, 49% dos entrevistados atribuem a culpa diretamente à empresa. A gestão Tarcísio é citada por 16% dos paulistas como o principal culpado pelos apagões. Essa blindagem em comparação à Enel também é observada em relação ao governo do presidente Lula, que aparece com 14% de menções, e à gestão Nunes, que detém o menor índice de responsabilidade direta, com apenas 6%. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
A Enel afirma que a pesquisa mostra que sua avaliação é melhor do que em pesquisa anterior, realizada exclusivamente na capital paulista, e que isso reflete avanços da companhia na resposta às quedas de energia.
O sentimento de insatisfação com a prestadora de serviço supera amplamente a responsabilização direcionada às esferas políticas. Mesmo somadas, as críticas aos três níveis de governo (36%) não atingem o patamar de rejeição direcionado à empresa.
Desde 2023, a área de concessão da Enel na Região Metropolitana de São Paulo registrou três apagões de grandes proporções causados por eventos climáticos como vendavais e tempestades. Nunes e Tarcísio têm criticado repetidamente a companhia e um processo de perda de contrato está em discussão na Aneel (agência nacional que regula o setor).
A percepção de culpa varia conforme a faixa etária e a instrução. Entre adultos de 45 a 59 anos, a Enel aparece como culpada por 57% dos entrevistados. Mesmo descontando a margem de erro de cinco pontos deste grupo, o valor médio fica em 52% e ainda supera o índice geral de 49%.
Os jovens de 16 a 24 anos formam o grupo que mais cobra os governos estadual (25%) e municipal (16%) pelas interrupções no fornecimento. Apesar de a margem de erro para essa faixa etária ser de seis pontos, os resultados ainda indicam tendência de maior cobrança política, já que o limite inferior de suas respostas (19% para o estado e 10% para o município) permanece acima das médias gerais.
Entre a população com ensino superior, a cobrança sobre a gestão de Tarcísio de Freitas é de 22%, mas esse resultado é apenas ligeiramente acima da média geral (16%) por estar no limite da margem de erro de cinco pontos.
O recorte socioeconômico sugere que eleitores com maior renda tendem a exigir uma fiscalização estadual mais rigorosa sobre a concessão. Nas faixas de renda mais baixa, que recebem até dois salários mínimos, a Enel é o alvo principal de 51% das pessoas, enquanto o governo estadual é citado por apenas 12%. Cabe observar que para esse grupo a margem de erro é de quatro pontos, o que coloca o resultado muito próximo da média do total da amostra.
Já no grupo com rendimentos entre 5 e 10 salários mínimos, a responsabilização do estado quase dobra, chegando a 23%. Contudo, a margem de erro para este estrato é de oito pontos percentuais, o que significa que o valor real pode oscilar entre 15% e 31%, tecnicamente dentro da margem de variação em relação à média geral de 16%.
Quanto ao governo federal, a pesquisa mostra que sua responsabilidade é mais considerada entre os mais velhos ? 60 anos ou mais ?, atingindo 21% desse público, o que mantém essa variação relevante mesmo com a margem de erro de cinco pontos do grupo.
Entre aqueles com renda superior a 10 salários mínimos, a responsabilidade do governo federal pelos apagões é de 18%. Mas é preciso considerar que este dado está dentro da margem de erro para rendas acima de 10 salários mínimos, de 13%.
O índice de pessoas que não souberam opinar ou preferiram não responder ficou em 10% no total geral.
O Datafolha fez 1.608 entrevistas em 71 municípios paulistas. O trabalho de campo foi realizado de 3 a 5 de março de 2026. A margem de erro máxima estimada para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.
A Enel afirma que o resultado da pesquisa mostra uma melhora na percepção dos consumidores em relação ao serviço prestado pela companhia comparado ao levantamento realizado pelo Datafolha em outubro de 2024.
Na ocasião, 70% dos entrevistados apontavam a concessionária como responsável pelas falhas no abastecimento. O resultado atual, de 49% responsabilizando a distribuidora, apresenta uma queda de 21 pontos percentuais. Cabe destacar que as pesquisas não são comparáveis porque a anterior foi realizada exclusivamente na capital paulista, enquanto a mais recente ouviu pessoas em 71 municípios de São Paulo.
Ainda de acordo com a Enel, o resultado da pesquisa reflete também na melhoria dos indicadores de atendimento aos clientes da companhia, acompanhados pelo regulador. A distribuidora afirma ter reduzido em 86% o percentual de interrupções prolongadas em 2025, em relação a 2023, e que o tempo médio de atendimento a emergências caiu em aproximadamente 50%.
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