Golpistas têm se aproveitado das fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora nos últimos dias para aplicar fraudes em campanhas de doação divulgadas nas redes sociais. Em meio à mobilização de moradores e instituições para ajudar famílias afetadas, criminosos criam pedidos falsos de arrecadação para receber transferências de dinheiro, principalmente por meio de chaves Pix.

O alerta ganhou força após relatos de campanhas que utilizam o nome de instituições religiosas e organizações locais para solicitar doações. Em muitos casos, os golpistas usam imagens reais dos estragos causados pelas chuvas, relatos emocionais e até reproduções de manchetes de jornais para dar credibilidade aos pedidos.

Segundo o professor de Direito e especialista em Direito Digital, Claudio Santos, esse tipo de fraude costuma surgir em momentos de grande mobilização social.

“Em situações de tragédia, como desastres naturais, a sociedade tende a se mobilizar para ajudar quem foi afetado. Isso é extremamente positivo, mas infelizmente algumas pessoas tentam se aproveitar dessa solidariedade para obter vantagem financeira”, explica.

De acordo com o especialista, as campanhas fraudulentas costumam ser estruturadas de forma muito semelhante às iniciativas legítimas. Os criminosos publicam textos com forte apelo emocional e pedem contribuições por Pix, levando muitas pessoas a realizarem transferências sem verificar a origem da arrecadação.

Uma das orientações é conferir sempre o nome do beneficiário antes de confirmar o envio do dinheiro. Quando a chave Pix é inserida no aplicativo do banco, o sistema mostra quem é o destinatário da transferência, o que pode ajudar a identificar possíveis irregularidades.

Outra recomendação é pesquisar previamente quem está organizando a campanha. Segundo o especialista, doações organizadas por pessoas físicas exigem atenção redobrada.

“O ideal é contribuir quando existe alguma referência de confiança. Pode ser alguém próximo ou a indicação de uma pessoa em quem você confia. No caso de instituições, é importante verificar se elas realmente existem e se estão promovendo aquela campanha”, orienta.

Outro tipo de fraude envolve a falsificação de campanhas institucionais. Criminosos utilizam logotipos de órgãos públicos, igrejas, rádios ou entidades conhecidas para dar aparência de legitimidade aos pedidos de doação.

“A presença dessas marcas transmite credibilidade, mas muitas vezes a campanha é falsa. O mais seguro é entrar em contato diretamente com a instituição citada para confirmar se a arrecadação é verdadeira”, alerta.

Caso a transferência já tenha sido realizada e exista suspeita de golpe, a orientação é procurar imediatamente o banco para tentar acionar mecanismos de cancelamento ou estorno da transação. Também é importante registrar um boletim de ocorrência, o que pode ajudar nas investigações.

Segundo o especialista, guardar o comprovante da transferência é fundamental, já que o documento contém informações sobre a conta que recebeu o valor.

“Esses dados podem ajudar a Polícia Civil a identificar quem está por trás da fraude. Além disso, o registro da ocorrência é importante porque, na maioria das vezes, a pessoa que caiu no golpe não é a única vítima”, afirma.

Mesmo diante dos riscos, especialistas reforçam que a solidariedade continua sendo fundamental para ajudar as famílias afetadas pelas chuvas. A recomendação é que as doações sejam feitas preferencialmente por meio de instituições reconhecidas e canais oficiais, reduzindo as chances de fraude.

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Fraude

Thiago Kremers - Reprodução

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