RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Prefeitura do Rio de Janeiro começa, neste domingo (15), a colocar nas ruas agentes armados da Guarda Municipal que integrarão a chamada divisão de elite, criada para atuar no policiamento ostensivo contra roubos e furtos em áreas de grande circulação na cidade.

Os agentes do grupo, que se chama Força Municipal, utilizarão pistolas Glock e equipamentos de menor potencial ofensivo, como spray de pimenta, gás lacrimogêneo e tasers. O uso de câmeras corporais será obrigatório durante o patrulhamento.

A estreia ocorrerá em duas áreas consideradas prioritários pela gestão municipal: o entorno do Terminal Gentileza, da rodoviária do Rio (Novo Rio) e da Estação Leopoldina, todos no centro; e na região do Jardim de Alah, na divisa entre Ipanema e Leblon, na zona sul.

Segundo a prefeitura, a escolha levou em conta dados sobre a incidência de crimes patrimoniais e os horários com maior concentração de ocorrências.

O plano prevê expansão gradual para outros 20 perímetros da cidade. Entre os locais listados pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana estão trechos de Copacabana, Botafogo, Centro e Barra da Tijuca, além de áreas próximas a estações de trem e metrô na zona norte e na zona oeste.

Na zona sul, os pontos incluem áreas turísticas e de grande circulação, como o Arpoador, a avenida Atlântica, o entorno do metrô General Osório e o shopping Rio Sul. No centro, o policiamento deverá alcançar o eixo da avenida Presidente Vargas, entre a Central do Brasil e a Cinelândia.

Também estão no planejamento regiões da zona norte, como o entorno do Maracanã e da Uerj, estações de metrô entre São Francisco Xavier e Afonso Pena e áreas comerciais de Méier, Del Castilho e Madureira.

Na zona oeste, o projeto prevê atuação em áreas comerciais próximas a estações ferroviárias em Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, além de trechos de vias expressas na Barra da Tijuca.

Segundo a prefeitura, a distribuição das equipes será guiada por dados de criminalidade usados sistema municipal de monitoramento conhecido como CompStat (criado em Nova York, em 1994, ele promete inteligência precisa, mapeamento de manchas criminais e resposta rápida).

De acordo com Eduardo Paes (PSD), a proposta é criar um modelo de policiamento municipal complementar às forças policiais estaduais. "Tudo baseado em dados e evidências ", afirmou o prefeito ao apresentar o plano nesta semana.

O secretário municipal de Segurança Urbana, Brenno Carnevale, disse que o foco inicial será o policiamento preventivo em áreas com maior incidência de roubos e furtos.

A atuação inclui patrulhamento a pé e com viaturas, além de abordagens voltadas à identificação de comportamentos suspeitos relacionados a esse tipo de crime.

A divisão terá três bases operacionais, localizadas no Leblon, em Piedade e em Inhoaíba, na que servirão de apoio às equipes distribuídas pela cidade.

TREINAMENTO E IDENTIFICAÇÃO

Os agentes passaram por meses de treinamento conduzido pela Polícia Rodoviária Federal desde a aprovação da regulamentação que permitiu o armamento de parte da Guarda Municipal. Segundo a corporação, 97% dos participantes foram aprovados pela PRF nas provas de tiro.

Em publicações nas redes sociais, a divisão de elite da guarda do Rio afirmou que, em avaliações semelhantes no meio civil, como em clubes de tiros, a taxa de reprovação costuma chegar a cerca de 40%.

As postagens também mostram imagens de treinamento com simulações de situações semelhantes às enfrentadas nas ruas, como abordagens e intervenções em cenários urbanos.

Em outra publicação, o perfil oficial da Força Municipal divulgou orientações para que a população identifique os agentes. Segundo a postagem, as equipes atuarão a pé, em duplas ou trios, além de patrulhamento em motocicletas e viaturas, também em duplas. Os guardas estarão uniformizados, identificados e equipados com câmeras corporais durante o serviço.

A criação da força ocorre após a Câmara Municipal do Rio aprovar, em junho de 2025, a regulamentação do armamento de parte da Guarda Municipal, com a criação de uma divisão com porte de arma de fogo integral.

Ainda de acordo com a proposta, os agentes estão autorizados a levar as armas para casa e utilizar o armamento fora do horário de serviço. O projeto também determina o uso das câmeras corporais, com implantação progressiva também em viaturas, e a criação de corregedorias e ouvidorias próprias para a corporação e para a nova divisão.

A autorização para que guardas municipais utilizem armas de fogo já havia sido aprovada pela Câmara em abril de 2025. Em fevereiro do mesmo ano, o STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu a competência das guardas municipais para exercer policiamento ostensivo comunitário, desde que respeitadas as atribuições das demais forças de segurança.

A regulamentação detalhou as condições para esse uso no município. A criação da tropa armada era uma das promessas de campanha de Paes, que é apontado como pré-candidato ao governo do estado nas próximas eleições.