SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um único tenente da PM aparece no boletim de ocorrência como autor dos disparos por parte dos policiais durante a troca de tiros que deixou dois mortos e cinco feridos no Jardim Macedônia, na região do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, na manhã deste sábado (14).
Doze cápsulas de fuzil 5,56, semelhante ao que tenente usou, foram encontradas no local pela perícia, que também apreendeu outras duas munições de pistola calibre 9 milímetros. A arma do policial foi apreendida, assim como um revólver calibre 32, supostamente pertencente a um dos suspeitos feridos.
Os mortos foram identificados como Francisco das Chagas Fontenele, 56, atingido por bala perdida, e Kauan Gabriel Cavalcante Lima, 22.
No local, rua Póvoa de Varzim, havia um evento conhecido como pancadão, como são chamados os bailes funk na periferia.
O tenente envolvido na ocorrência não compareceu à delegacia ? o que está previsto em lei, já que o depoimento deve ser prestado na presença de advogado. Tanto a arma dele quanto o revólver foram apresentados por uma soldada, que ficou responsável por relatar as circunstâncias do fato ao DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa). Ela deixou registrado no documento que não presenciou o confronto.
Os policiais civis requisitaram por email as imagens das câmeras corporais usadas pelos PMs envolvidos. Até a tarde deste domingo (15), a situação permanecia inalterada, ou seja, não houve o envio.
A Polícia Civil classificou a ação como um cenário conturbado e informou ser necessário aguardar laudos, imagens das câmeras, depoimentos e análise de eventuais equipamentos de monitoramento na rua para determinar o que ocorreu.
Ao menos um homem de 25 anos figura como investigado. Ele seria o responsável por ter atirado contra os policiais em um primeiro momento, o que teria dado início a uma perseguição até o local da troca de tiros. Horas depois, ele foi encontrado internado em estado grave no Hospital Universitário da USP, no Butantã, zona oeste. No registro, ele consta como o responsável pelo revólver calibre 32 apreendido na via.
O caso foi registrado pelo DHPP como resistência, homicídio, homicídio decorrente de oposição à intervenção policial e tentativa de homicídio.
O CASO
A ação teve início pouco depois das 6h deste sábado e aconteceu em um local onde havia um baile funk.
Conforme o registro, policiais do 37º Batalhão teriam ido ao local após denúncia de que havia um pancadão. Ao chegarem, a equipe teria sido recebida a tiros por um indivíduo que conduzia uma motocicleta. O veículo estaria com placa adulterada. A passageira da moto era uma mulher, que foi ferida e levada ao Hospital Campo Limpo.
Depois, um outro homem passou a atirar contra os policiais, de acordo com a versão dos agentes. Ele também foi baleado e levado para à UPA Jardim Macedônia, onde morreu. Próximo do local da troca de tiros foi encontrado um terceiro baleado. Ele estava desarmado e foi encaminhado para um hospital.
Uma quarta pessoa ferida foi encaminhada para a UPA Jardim Macedônia, onde morreu. Outras três pessoas chegaram em hospitais da região com ferimentos de tiros.
Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) disse que "policiais do 37º BPM/M foram recebidos a tiros durante patrulhamento na região do Capão Redondo, na zona sul da capital, e reagiram à agressão. A PM acionou o socorro especializado para atendimento dos feridos, conforme protocolo operacional, que prioriza equipes médicas qualificadas".
A pasta informou ainda que "arma, munições e uma motocicleta com identificação suprimida foram apreendidas, e toda a ação foi registrada pelas câmeras corporais dos policiais".
Em janeiro, um policial militar foi preso após balear um pedestre durante uma ação contra um baile funk na mesma via.
O agente teria atirado contra um motociclista e acertou a vítima. À época, a Polícia Militar disse ter aberto apuração para possível falha operacional na atuação do policial.