RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - O grupo de indígenas que interditou a Estrada de Ferro Carajás em Bom Jesus do Tocantins, no sudeste do Pará, em protesto contra a Vale, deixou os trilhos nesta terça-feira (17), depois de seis dias de paralisação na operação de trens.
Os integrantes da Terra Indígena Mãe Maria, que abriga povos gavião e guarani, bloquearam a ferrovia na última quinta-feira (12) alegando que a mineradora tem poluído rios que cortam a área devido à duplicação da ferrovia. O território é cortado ao sul pela Carajás.
Apesar da desinterdição dos trilhos, a circulação do trem de passageiros será retomada somente a partir de quinta-feira (19), já que a composição não opera às quartas na maior rota ferroviária do país.
A ferrovia, com extensão de cerca de 900 quilômetros, liga a capital do Maranhão, São Luís, a Parauapebas (PA), numa viagem de cerca de 16 horas de duração.
O trem parte de São Luís às segundas, quintas e sábados, enquanto deixa a cidade paraense às terças, sextas e domingos. A quarta-feira é usada atualmente para manutenções, mas o cenário vai mudar em 2027, quando as operações serão diárias a partir das duas pontas da ferrovia.
De acordo com a Vale, equipes da empresa inspecionaram a via nesta terça e realizaram as manutenções necessárias para que a operação dos trens seja retomada com segurança.
A terra indígena possui 62 mil hectares, abriga quatro povos (gavião akrãtikatêjê, gavião kykatejê, gavião parkatêjê e guarani) e tem população de 1.300 habitantes.
Homologada em 1986, ela representa 22,36% dos 281.660,4 hectares de Bom Jesus do Tocantins.
De acordo com a Vale, os passageiros poderão remarcar os bilhetes previstos para os dias em que o trem não operou ou solicitar o reembolso dos valores pagos no prazo de até 30 dias, a partir da data do pedido.
Em alta temporada, o trem chega a transportar 2.000 passageiros por viagem. O bilhete entre São Luís e Parauapebas custa R$ 100 (inteira), na classe econômica, e R$ 190, na executiva.