SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Quatro policiais do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) foram afastados do patrulhamento nas ruas após suspeita de mau uso das câmeras corporais durante uma operação no Morro dos Prazeres, no Rio. Na ocasião, um homem apontado como líder do CV (Comando Vermelho), um morador e seis suspeitos foram mortos.

Os agentes, que não tiveram identidades divulgadas, foram transferidos de função. Segundo a Polícia Militar, eles foram retirados do serviço operacional e farão atividades administrativas até o fim da investigação interna.

Durante a ação, os militares teriam feito uso irregular das câmeras individuais. A corporação, no entanto, não especificou em quais momentos ocorreram as supostas irregularidades.

Medida foi tomada após uma análise preliminar do trabalho policial na comunidade. "O afastamento busca assegurar a apuração rigorosa e transparente dos fatos, em conformidade com as normativas que regulamentam a utilização dos equipamentos", falou a PM em nota.

A morte de um morador aponta possível falha da polícia. Leandro Silva Souza foi morto após ser feito refém por criminosos junto à esposa, que foi resgatada com vida. Não é possível até o momento saber se ele morreu por tiro disparado por suspeitos ou pela polícia, que matou os homens que o faziam refém.

A companheira da vítima alega que não houve tentativa de negociação e que policiais teriam atirado contra todos. "Um policial depois disse que eu tinha que ir na delegacia falar que o bandido atirou no meu marido. Eu disse 'não vou', porque não vi bandido atirando no meu marido", relatou Roberta ontem à TV Globo, sem saber descrever a aparência do agente.

CHEFE DO CV É MORTO

Conhecido como Jiló dos Prazeres, traficante foi morto ao ser cercado por policiais durante a operação. A morte dele foi confirmada pelo comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Coronel Menezes.

Ele tinha oito mandados de prisão em aberto, um deles pela morte do turista italiano Roberto Bardella, assassinado em 2016 no Rio. Segundo a polícia, o homem tinha mais de 130 anotações criminais e era uma das lideranças mais antigas do Comando Vermelho no estado.

Além de Augusto, outras seis pessoas consideradas "suspeitas" morreram na operação. Dois policiais ficaram feridos: um deles com um tiro de raspão e outro por estilhaços. A esposa de Jiló também foi baleada, mas sobreviveu e está internada no Hospital Municipal Souza Aguiar.

Após a morte de Jiló dos Prazeres, manifestantes queimaram um ônibus próximo ao túnel Paulo de Frontin. Seis ônibus foram usados como barricadas, segundo a Rio Ônibus, e entulhos também foram depositados na pista por volta das 9h40, perto da Travessa Antônio Pedro Galiazzi. Segundo o Centro de Operações Rio, os detritos foram recolhidos com ajuda da Comlurb e apoio da PM. Segundo a PM, somente o ônibus queimado continuava na via às 13h.