SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) determinou nesta quinta-feira (19) a prisão preventiva (sem prazo) do homem que aparece em vídeo agredidno a ex-companheira dentro de um elevador em Guarulhos, na Grande São Paulo, após recurso apresentado pelo promotor de Justiça Gustavo Macri Morais.
Ronaldo Ferreira, 20, havia sido preso em flagrante após o crime, mas foi colocado em liberdade provisória pelo Juízo das Garantias da Comarca de Guarulhos, mediante medidas cautelares. A nova decisão suspende esse entendimento anterior.
A Defensoria Pública de São Paulo, que acompanha o suspeito, informou que não vai se posicionar. O TJ-SP afirmou que o caso está em segredo de Justiça. Ainda nã há informações se a prisão já foi cumprida.
No recurso, Morais argumentou que a prisão é necessária para garantir a ordem pública, evitar a repetição de condutas violentas e proteger a vítima.
Ao analisar o caso, a 2ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP acolheu os argumentos e considerou que a liberdade do investigado representa risco, tanto pela possibilidade de novas agressões quanto pela eventual tentativa de fuga, especialmente diante da repercussão do episódio.
A decisão também menciona a necessidade de preservar a integridade física e psicológica da vítima e assegurar a aplicação da lei penal.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de imagens de câmeras de segurança que registraram a agressão dentro do elevador da empresa onde a vítima trabalha.
Nas imagens, o homem aparece perseguindo a ex-companheira até o interior do prédio, pulando a catraca que controla o acesso ao edifício, e desferindo socos contra ela. As agressões só cessam com a intervenção de uma mulher que acompanhava a vítima.
Segundo as investigações, o crime teria sido motivado pela inconformidade do suspeito com o fim do relacionamento e com uma ação de pensão alimentícia movida pela vítima, com quem ele tem um filho de sete meses.
Além do recurso, o Ministério Público também apresentou denúncia contra o acusado. Ele responde por lesão corporal com agravante de violência contra a mulher, além de coação no curso do processo.
Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no dia 4 de março, indica que 13,1% das vítimas mortas tinham proteção judicial vigente no momento do crime.
A análise reúne 1.127 feminicídios registrados em 16 unidades da federação. Os dados se referem a distintos períodos nos estados, entre 2023 e 2025. Em 148 casos, a mulher já havia acionado o sistema de Justiça e obtido a decisão protetiva que, ainda assim, não impediu o desfecho letal.
A cenário evidencia a distância entre o arcabouço jurídico criado pela Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em 2026, e sua implementação efetiva. Entre as causas da disparidade, segundo especialistas em violência contra a mulher ouvidos pela Folha de S. Paulo, estão a falta de investimentos nas medidas previstas na lei e falhas de integração entre as ferramentas, suas instituições e esferas de poder.