RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil prendeu na tarde desta quinta-feira (19) um homem suspeito de ter invadido o prédio da ex-companheira e disparado contra a porta do apartamento dela, no bairro do Espinheiro, na zona norte do Recife, na madrugada da quarta-feira (18).
O empresário André Maia Oliveira, 47, estava foragido e se apresentou à Delegacia de Casa Amarela, onde recebeu voz de prisão. A polícia não disse se ele constituiu defesa e, por isso, a reportagem não conseguiu localizar quem o representa.
Segundo a Polícia Militar de Pernambuco, o homem descumpriu uma medida protetiva ao entrar no condomínio da vítima. Ele teria utilizada um carro para acessar o local e seguir até o apartamento, onde efetuou diversos disparos.
A mulher, de 39 anos, estava no imóvel no momento do ataque. Não houve registro de feridos. Após o episódio, ela foi retirada do local e levada à Delegacia de Polícia da Mulher.
A polícia disse que o suspeito deixou o prédio após os disparos. Os agentes localizaram o veículo utilizado por ele e apreenderam uma arma de fogo ainda na quarta-feira.
Conforme a advogada Izabel Barboza, responsável pela defesa da vítima, o homem entrou no prédio com uma arma e um galão de gasolina. Ela disse que, por meio de áudios, o homem afirmou que teria comprado o combustível para "tocar fogo no apartamento com todo mundo dentro".
De acordo com a advogada, as ameaças foram feitas após o pedido de medida protetiva apresentado pela mulher no último dia 12. Segundo ela, a atuação agora estará voltada aos desdobramentos do caso, especialmente para proteção à vítima, ao filho e à mãe dela.
Em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (20), o delgado Ivado Pereira, gestor da Diresp (Diretoria Integrada Especializada), classificou as ações do homem como brutais. "A gente ficou perplexo também. Vimos ali uma família encurralada dentro de uma casa, um indivíduo armado com gasolina. Um fato cruel que causa um dano não só físico, mas um dano grande psicológico", disse.
A delegada Larissa Azedo, adjunta da 1ª Deam (Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher), a violência doméstica foi iniciada com xingamentos e isolamento da vítima até o momento em que ela pediu o fim do relacionamento e o homem não aceitou. Eles estavam juntos há 20 anos e o fim do relacionamento ocorreu no dia 6 de março. Com isso, a vítima solicitou a medida protetiva no dia 12.
Segundo a delegada, a intenção do homem do homem seria tocar fogo no apartamento da vítima e, depois, cometer suicídio. Estavam no local a vítima, a mãe da vítima e um filho do casal.
Dois inquéritos policiais apuram o caso: um relacionado à medida protetiva, no qual foi noticiado perseguição (stalking) e ameaça, e um outro voltado à tentativa de feminicídio a duas mulheres e tentativa de homicídio do filho do casal.