SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um advogado foi preso por suspeita de matar a tiros a própria esposa após ela dizer que queria se separar, em São Lourenço do Oeste (SC) na quarta-feira (18).
Sara Bianca Moyses Fabian Schneider, 29, foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro da própria casa. O principal suspeito do crime é o marido dela, o advogado Sergio Fabian Schneider, 36, que confessou o crime, informou a Polícia Civil catarinense.
Sergio afirmou que matou Sara após um desentendimento entre os dois. Durante a discussão, a mulher teria dito ao marido que queria se separar e mudar para o Paraná com a filha deles, uma menina de 4 anos, explicou em coletiva de imprensa o delegado Ricardo Melo.
Após matar a esposa, Sergio tentou disfarçar o ocorrido para a família. Ao ser questionado por parentes sobre o barulho do tiro, ele alegou que o som foi provocado pela queda de um móvel. Depois, ele pegou a filha e levou a menina para a casa de um familiar.
Na sequência, Sergio se entregou espontaneamente na delegacia da cidade. Ele narrou o que teria acontecido, admitiu ter atirado em Sara e foi autuado pelo crime de feminicídio.
Em depoimento, Sergio alegou que tinha "medo" de perder a guarda da filha caso Sara mudasse para o Paraná. "Ele ficava com receio de que ela pudesse se separar dele e ficar com a tutela da filha. Ele ficou com medo disso. Então, ela teria ameaçado que voltaria para Curitiba e ficaria na casa de amigas. E aí ele pega a arma e efetuou o disparo", relatou o delegado Ricardo Melo. O investigador também disse que a arma usada no crime era legalizada.
Casal estava junto havia sete anos. Os dois se conheceram no Paraná, mas mudaram no ano passado para a cidade catarinense. A polícia não informou quem ficou com a guarda da criança.
Justiça de Santa Catarina converteu a prisão de Sergio para preventiva ontem. O UOL não conseguiu localizar a defesa dele para pedir posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação.
Sara era gerente em uma loja de roupas em São Lourenço do Oeste. Ela havia se mudado para a cidade no ano passado, onde vivia com o marido e a filha.
Nas redes sociais, Sara costumava postar registros de viagens juntos. Ela compartilhava momentos em família e, inclusive, declarações de amor ao marido.
O assassinato de Sara foi o primeiro feminicídio ocorrido em São Lourenço do Oeste em 11 anos. Segundo a Polícia Civil catarinense, a cidade não registrava o crime desde 2015.
EM CASO DE VIOLÊNCIA, DENUNCIE
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.
O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.
Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.
As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.
Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).
Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.