SANTOS, SP (FOLHAPRESS) - Uma mulher de 22 anos fugiu pelo telhado de casa para escapar do companheiro agressivo em Mongaguá, litoral sul de São Paulo. O homem foi preso no domingo (15) sob suspeita de quatro crimes: violência doméstica, sequestro, cárcere privado e tráfico de drogas.

A reportagem procurou a SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo, que não informou o nome da vítima nem do detido. A secretaria diz que "não fornece dados pessoais de envolvidos em ocorrências devido à Lei de Abuso de Autoridade e Lei Geral de Proteção de Dados".

A vítima solicitou medidas protetivas de urgência. A SSP não informou detalhes de como está a atual situação da mulher.

A prisão em flagrante do suspeito ocorreu no Conjunto Barigui 1, na cidade da Baixada Santista. "O indiciado manteve a vítima trancada em casa por dias, impedindo-a de sair com a filha de três anos. Agrediu-a e ameaçou matá-la, inclusive dizendo que incendiaria a residência", diz nota da secretaria.

Ainda de acordo com a pasta, a mulher conseguiu alcançar o telhado, chegar a um quintal vizinho e, em seguida, acionar a Polícia Militar. O suspeito, que não estava em casa, foi detido logo após retornar. Segundo a polícia, ele confessou que vendia maconha e teve R$ 2.793 em dinheiro apreendidos.

O episódio também é relatado pela 1ª Companhia do 29º Batalhão de Polícia Militar do Interior em seu Instagram.

O informe da companhia, com sede no município, acrescenta que a vítima acionou a corporação pelo Copom (Centro de Operações da Polícia Militar), canal que recebe ligações gratuitas de emergência pelo telefone 190.

"Durante buscas no imóvel, foram encontrados quase meio quilo de maconha na geladeira da residência e dinheiro em espécie no interior do veículo do indivíduo", afirma a PM.

Aos policiais que efetuaram a prisão, a vítima contou que chegou a ver o companheiro no carro com a filha "exibindo uma arma de fogo". A arma não foi encontrada pelos policiais durante a prisão no imóvel do casal.

NOVO ATENDIMENTO

Procurada sobre quais ações há de enfrentamento à violência contra mulheres, a Prefeitura de Mongaguá anunciou que vai inaugurar, em 31 de março, um local exclusivo para elas na sede da GCM (Guarda Civil Municipal) no bairro Balneário Itaguaí.

Batizado de Sala Rosa, o espaço terá atendimento humanizado às vítimas que procurarem por ajuda em ambiente considerado pela GCM mais reservado e seguro.

"A Sala Rosa nasce como um espaço de acolhimento para a mulher ser ouvida com mais respeito, sigilo e segurança", resume a comandante da GCM e idealizadora da iniciativa, Daiana Franzem.

Prioritariamente, o atendimento será realizado por guardas-civis femininas. Também haverá espaço adicional para crianças que acompanharem as mães. "Todos os integrantes da nossa corporação passam por capacitação específica para aplicação de medidas previstas na Lei Maria da Penha."

Outros locais de proteção direta ao público feminino em Mongaguá são a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), o Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social e o SAE (Serviço de Atendimento Especializado) em casos de violência sexual.

A cidade conta, ainda, com o projeto Guardiã Maria da Penha, que busca fortalecer a atuação preventiva da GCM com acompanhamento de casos, verificação do cumprimento de medidas protetivas e encaminhamento das vítimas à rede de atendimento.