SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O homem que foi ao local de trabalho da ex-companheira e a agrediu com socos dentro de um elevador na cidade de Guarulhos, em São Paulo, foi preso novamente na noite de sexta-feira (20). Ele havia sido solto na audiência de custódia.

Ronaldo Ferreira, 20, foi detido por policiais civis da Delegacia de Defesa da Mulher de Guarulhos. Dias após ser solto, a Justiça de São Paulo determinou a nova prisão após um pedido do Ministério Público.

Recurso foi apresentado pelo promotor de Justiça Gustavo Macri Morais. A medida suspendeu os efeitos da decisão anterior, do Juízo das Garantias da Comarca de Guarulhos, que concedeu liberdade provisória a Ronaldo Ferreira.

Promotor argumentou que a prisão é uma medida para proteger a ordem pública. Ele explicou que a disseminação de notícias de casos de violência doméstica que não contam com uma atuação firme do Estado encoraja a prática de novas condutas, deixando a comunidade em estado de indignação para com o poder público.

Crime foi registrado por câmeras de segurança do elevador da empresa em que a vítima trabalha. Ao chegar ao local de trabalho, Byanca Aparecida dos Santos, 20, foi surpreendida pelo ex, que a perseguiu até o interior do prédio, pulou a catraca e a atacou com socos.

As agressões pararam somente após a intervenção de uma amiga dela. Após o ato de violência, o agressor fugiu do local. O crime teria sido motivado pelo fato de que Ronaldo não se conformou com o fim do relacionamento e com a ação de pensão alimentícia ajuizada pela vítima, com quem tem um filho de sete meses.

Justiça de São Paulo citou uma série de riscos da liberdade provisória concedida na audiência de custódia. Na decisão, o principal argumento é de que o homem poderá reiterar condutas violentas contra a vítima ou mesmo se evadir, notadamente pela repercussão do caso, frustrando a garantia da ordem pública, a proteção da integridade física e psicológica da ex-companheira.

Vítima de agressão diz temer represália

Byanca disse "andar assustada" por temer que algo pior ocorra com ela após o ex ser solto. "Eu tô em choque, não sei o que fazer. Estou orando muito para Deus que não aconteça nada comigo. Antes eu já ia para casa com muito medo, qualquer barulho na rua já olhava para trás, assustada. Depois que isso ocorreu, piorou mais ainda, meu psicológico está abalado", declarou em entrevista ao Hora 1, da TV Globo.

A jovem explicou que Ronaldo não aceitava o fim do relacionamento, mas afirmou não imaginar "que ele iria fazer isso". "Ele não tem o direito [de me agredir] só porque eu terminei o relacionamento. Ele seguiu a vida dele e eu quis seguir minha".

A amiga que protegeu Byanca, Ellen Suellen, contou que, naquele momento, não pensou na própria segurança. "Nunca que eu ia ver ali passando por aquilo e deixar. Não quis saber se eu iria apanhar ou não. Eu me intrometi porque na hora que eu vi partiu meu coração. Imagina se eu não entro e ele mata ela no elevador? Fica por isso mesmo?"

Estudo mostra violência contra mulher

Pelo menos três em cada 10 mulheres já foram vítimas de algum tipo de violência. Ao menos 21,4 milhões de mulheres brasileiras (ou 37,5% da população feminina com 16 anos ou mais) afirmaram ter sido alvo em 2024. Os dados pertencem a estudo do Fórum Brasileiro de Segurança e do Instituto Datafolha.

Principal objetivo da pesquisa é entender a violência contra mulher (para além dos registros policiais). Foram realizadas entrevistas em 126 cidades, entre 10 e 14 de fevereiro. Ao todo, 793 mulheres com 16 anos ou mais responderam presencialmente a um questionário sobre formas de violência que possam ter sofrido ou presenciado ao longo dos 12 meses anteriores.

Em caso de violência, denuncie

Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.

O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.

Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.

Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).

Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.