No Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo (22), entidades socioambientais alertam para a redução da disponibilidade hídrica no Cerrado, bioma fundamental para o abastecimento de grandes bacias do país.
Em Brasília, a campanha Cerrado Coração das Águas promove uma mobilização no Eixão do Lazer para debater a importância do bioma para a segurança hídrica do Distrito Federal e do Brasil.
Dados apresentados pelos organizadores do evento incluem pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) que indica que 88% das bacias hidrográficas analisadas todas localizadas no Cerrado registraram redução de vazão entre 1985 e 2022.
Essa redução, segundo o levantamento, está associada principalmente ao desmatamento e às mudanças no uso da terra.
A pesquisa estima perda de até 35% das reservas de água do bioma até 2050. Dados do MapBiomas indicam que mais da metade da vegetação nativa do Cerrado já foi desmatada.
As entidades destacam também os impactos da expansão agropecuária sobre os recursos hídricos. Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), quase 60% da água consumida no país é destinada à irrigação e à pecuária.
Além da escassez, o uso crescente de agrotóxicos tem contribuído para a contaminação de mananciais e afetado comunidades tradicionais do Cerrado.
Coordenadora do Programa Cerrado no Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Isabel Figueiredo elogiou a participação de diferentes gerações no evento.
Comunicar a importância do Cerrado para a segurança hídrica é um desafio intergeracional, uma linda ação, disse.
Para a professora do Departamento de Ecologia da UnB Mercedes Bustamante, as participações dos especialistas durante as rodas de conversa reafirmam a relevância do bioma para o país. Ficou muito claro que o futuro sustentável do Brasil passa pelo Cerrado.