SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Lula (PT) anunciou, neste domingo (22), a ampliação das unidades de conservação do Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense e da Estação Ecológica de Taiamã, ambas em Mato Grosso. A declaração ocorreu durante a abertura da COP15, a cúpula da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre espécies migratórias, em Campo Grande (MS).
A programação oficial para os diplommatas deve começar oficialmente nesta segunda-feira (23) e seguir até o próximo domingo (29). A ministra de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, também discursou na cerimônia de abertura.
A medida do governo federal incorpora 104 mil hectares ao sistema de proteção ambiental do bioma, em um movimento estratégico para ampliar a conservação em uma das regiões mais biodiversas do planeta. O pantanal teve recorde de queimadas em 2020 e 2024 ?imagens de animais carbonizados nesses anos repercutiram ao redor do mundo.
No Parque Nacional, localizado no município de Poconé (MT), a ampliação será de cerca de 47,3 mil hectares, um aumento de aproximadamente 35% em relação à área atual de 135 mil hectares.
Já a Estação de Taiamã, no município de Cáceres (MT), limite com Poconé, terá um acréscimo de 56.918 hectares, o que representa uma expansão superior a 500% sobre sua área original de 11.200 hectares. Com isso, passará a ter mais de 68 mil hectares.
Dessa forma, o pantanal eleva o percentual de área protegida por unidades de conservação federais, passando de 4,5% para 5,2% do território (estimado em aproximadamente 15 milhões de hectares). A medida reforça a proteção de áreas úmidas essenciais para a regulação hídrica, conservação da biodiversidade e enfrentamento a eventos extremos, como secas e incêndios.
Com o anúncio do presidente, o governo deve agora iniciar a fase de consolidação da regularização fundiária e de implementação das áreas, que inclui a compra de terrenos (algumas já em negociação), o fortalecimento da gestão, a atualização dos planos de manejo e a elaboração de instrumentos como planos de prevenção e combate ao fogo e de uso público.
A iniciativa, conduzida pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pelo Ministério do Meio Ambiente, é fruto de mais de uma década de estudos técnicos, com apoio de organizações do terceiro setor.
Segundo as ONGs envolvidas, a parceria estruturou um modelo capaz de dar maior celeridade à regularização fundiária, que historicamente um dos principais entraves à consolidação das unidades de conservação. Os estudados reunidos asseguram, ainda, a previsibilidade e segurança jurídica aos proprietários das áreas a serem incorporadas.
RECORDE DE QUEIMADAS
O pantanal teve 2,6 milhões de hectares queimados em 2024, cerca de 17% da área total do bioma, segundo dados são do Lasa (Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais), da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). O número é quase três vezes o registrado em 2023 (cerca de 0,9 milhões de hectares).
Os dados fechados de 2025 ainda não estão disponíveis no sistema. Mas, segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o pantanal teve uma redução de 96% focos de queimadas no ano passado, comparado a 2024.
Na série histórica do centro de pesquisa, que começa em 2012, o ano de 2024 foi o segundo em tamanho de área atingida por incêndios. Ele só perde para 2020, quando uma tragédia recorde foi registrada, sob a gestão Jair Bolsonaro (PL).