SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, foi morta a tiros na madrugada de hoje pelo ex-namorado dela, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza. Em seguida, ele tirou a própria vida.

O crime aconteceu por volta de 1h, na casa de Dayse, no bairro Caratoíra, em Vitória. Ela foi baleada cinco vezes na cabeça e morreu no local. O delegado chefe do DHPP (Departamento Especializado de Homicídio e Proteção à Pessoa), Fabrício Dutra, tudo indica que o caso se trate de um feminicídio.

Diego Oliveira de Souza não aceitava o fim relacionamento. De acordo com as primeiras informações, a comandante da Guarda Municipal havia encerrado o relacionamento com o policial recentemente. A delegada Raffaella Aguiar afirmou que ele agia de forma controladora e que após a morte de Dayse a polícia recebeu relatos sobre o comportamento abusivo do PRF na relação.

"As primeiras informações são de que ele não aceitava o fim do relacionamento. Não tinha nada formalizado. Agora, depois que aconteceu o crime, começaram as pessoas a comentar que ele era ciumento, possessivo, extremamente controlador. É importante para que outras mulheres percebam que a violência não começa naquele momento do disparo que ceifou a vida dela. A violência começa naquele primeiro controle", disse Raffaella Aguiar, delegada.

Polícia acredita que crime foi premeditado. A delegada explicou que os vestígios colhidos na cena do crime sugerem que Diego planejou o crime. "Ele levou ferramentas para romper a porta, levou uma escada. Ele arrombou a porta da casa dela. Então nisso tudo você vê um planejamento para que ele pudesse matá-la", disse Raffaella Aguiar.

Família da vítima contou que o PRF já havia ameaçado Dayse. Em entrevista à TV Tribuna, o pai de da comandante, Carlos Roberto Trindade Teixeira, que o relacionamento era marcado por discussões.

"Ele ameaçava ela. Já tinha quebrado o trinco do portão, há cerca de cinco meses, pegou a arma dela para ameaçar a Dayse. Eu consegui intervir e ele foi embora, mas o relacionamento deles era marcado por discussões e violência. Ele era uma pessoa muito temperamental. Eu aconselhava ela para terminar, mas ela não me ouvia", lamentou o pai da comandante.

Dois dias antes do crime, Dayse trocou as fechaduras de casa. O pai dela lembrou que Diego fez ameaças no sábado (21). Segundo a polícia, ele usou uma escada para invadir a casa da ex-companheira.

Prefeitura de Vitória decretou luto de três dias. Em nota, a gestão municipal manifestou profundo pesar pela morte da comandante da Guarda, cuja trajetória, segundo o poder municipal, "foi marcada por ética, dedicação, sensibilidade, coragem e compromisso com a segurança pública e o bem-estar da população".

"Profissional exemplar, Dayse Barbosa destacou-se também como por sua firme atuação na defesa dos direitos das mulheres, contribuindo de forma significativa para o enfrentamento à violência e para a construção de uma sociedade mais justa e segura. Sua partida deixa um legado de respeito, força e compromisso com o serviço público", disse a prefeitura de Vitória, em nota.

CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA

Caso você esteja pensando em cometer suicídio, procure ajuda especializada como o CVV (Centro de Valorização da Vida) e os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.

EM CASO DE VIOLÊNCIA, DENUNCIE

Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.

Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.

Também é possível realizar denúncias pelo número 180 -Central de Atendimento à Mulher- e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.