BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governo Lula (PT) divulgou nesta segunda-feira (23) que 66% das crianças brasileiras foram alfabetizadas em 2025, de acordo com índice criado pela gestão.

A prova do Indicador Criança Alfabetizada foi aplicada a alunos do 1º e 2º anos do ensino fundamental no ano passado. O MEC (Ministério da Educação) divulgou apenas o percentual nacional, sem dar acesso aos dados das unidades da federação, municípios ou recortes por raça ou renda. O governo promete divulgar os números por estado na terça (24) e, por municípios, na segunda (30).

O percentual divulgado pelo governo representa um forte avanço em relação ao ano anterior, quando o índice ficou em 59,2%. Também é uma superação da meta, que era atingir 64% de alunos da rede pública alfabetizados.

O presidente Lula e o ministro da Educação, Camilo Santana, participaram de um evento em Brasília que reuniu milhares de representantes das secretarias de Educação do país.

A iniciativa prevê a entrega do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização para prefeituras e estados que tiveram bons resultados. O selo foi lançado em 2024.

"Este é o maior legado que o senhor [presidente Lula] está deixando para o futuro desse país, que é garantir oportunidade para as crianças brasileiras", disse Camilo na abertura do evento. O ministro apenas mostrou o percentual no telão, ao lado do presidente, sem detalhar os dados gerais para imprensa.

Camilo disse que 2.385 municípios alcançaram o "selo ouro" nesta edição. A premiação é atrelada ao Indicador Criança Alfabetizada. No ano passado, o governo divulgou que havia 59,2% de crianças alfabetizadas em 2024 no país. Isso representou uma alta com relação a dados do ano anterior, quando esse índice foi de 56%.

A solenidade é uma das últimas com participação de Camilo no MEC. O ministro petista deve se afastar do governo até o fim do mês para se dedicar às eleições.

A avaliação criada em 2023 reúne resultados de provas realizadas com alunos do 2º ano do ensino fundamental pelos governos estaduais e aplicadas também nos municípios. Os dados foram ajustados para serem comparados à avaliação federal tradicional, o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), que ocorre a cada dois anos.

O formato do indicador acumulou críticas de especialistas porque há estados sem dados e os resultados são consolidados a partir de avaliações aplicadas pelos estados de forma não padronizada. O MEC e o Inep, que organiza a divulgação do indicador, disseram que a partir de 2024 houve um avanço na padronização nas provas, com adoção de um modelo único.

Quando o governo divulgou os resultados de 2023, comparou com os dados do Saeb de anos anteriores: em 2021, eram 36% de alfabetizadas e, em 2019 (antes da pandemia), esse percentual foi de 55%.

A Folha de S.Paulo revelou que, em paralelo à criação dessa nova avaliação a partir de provas feitas pelos estados, o Inep havia decidido engavetar a divulgação dos resultados de alfabetização do Saeb de 2023 ?o que afrontava opiniões técnicas. Após má repercussão, os dados foram conhecidos.

Os dados de alfabetização do Saeb de 2023, que são calculados a partir de uma amostra e estavam barrados pelo governo, mostraram diferenças com relação à nova avaliação.

Enquanto a avaliação dos estados mostrava que 56% das crianças alfabetizadas em 2023, os dados do Saeb indicam um percentual menor, de 49%. Isso representa uma tendência de queda com relação a 2019, antes da pandemia, quando o mesmo Saeb indicava que o país tinha 55%.