SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Prefeitura de São Paulo demoliu no fim de semana o Teatro de Contêiner após uma disputa com a Companhia Mugunzá, responsável pelo espaço. O terreno, localizado na rua dos Gusmões, no centro da cidade, era ocupado pelo grupo desde 2016 e havia sido alvo de ordem de despejo em agosto de 2025.
A desmontagem da estrutura foi confirmada pela companhia nas redes sociais. No texto, ela afirma que a gestão Ricardo Nunes "passou por cima de todo clamor da sociedade civil" e acusou o poder público de "acabar com um dos teatros mais importantes do país".
O espaço já havia sido lacrado pelo poder municipal em 15 de janeiro, impedindo o acesso da equipe aos equipamentos. Em vídeo publicado nas redes sociais do teatro, o ator e produtor Marcos Felipe afirmou que a companhia foi surpreendida ao não conseguir mais entrar no local.
A Mugunzá afirmou ainda que a demolição ocorreu sem comunicação prévia, sem apresentação de alvará e sem identificação de responsável técnico. O coletivo também disse que havia uma disputa judicial ainda em andamento.
Conforme a prefeitura, a operação de desocupação ocorreu sem intercorrências. Após a retomada, vistorias apontaram irregularidades na infraestrutura do espaço. Segundo boletim de ocorrência registrado no 3º Distrito Policial, em Campos Elíseos, equipes identificaram ligações clandestinas de energia e água durante inspeções realizadas pela Enel e pela Sabesp.
A gestão Nunes disse ainda que a 5ª Vara da Fazenda Pública reconheceu o encerramento definitivo do prazo da permanência do grupo e acrescentou que, diante da falta de acordo, cumpriu a decisão judicial para a retomada do patrimônio público.
"A gestão atual dialogou por cerca de um ano com o grupo, repassou R$ 2,5 milhões às atividades da companhia e ofereceu quatro alternativas de terrenos para a transferência, mas seus representantes preferiram, perto do prazo final determinado pela Justiça, criar obstáculos para desocupação do terreno", afirma a nota. "A gestão municipal reintegrou a área ocupada irregularmente, cumprindo decisão judicial, e vai construir no local um empreendimento habitacional e espaço de lazer."
Também em nota, a defesa do teatro afirmou que já prestou esclarecimentos às autoridades e se colocou à disposição para colaborar com as investigações. Segundo o advogado Fernando de Oliveira Zonta, o grupo acredita que o caso será analisado de forma adequada pelo Judiciário e que será reconhecida a ausência de responsabilidade sobre as ligações clandestinas.
Segundo o grupo, a prefeitura havia apresentado alternativas de realocação em endereços como as ruas Conselheiro Furtado, Helvétia e João Passaláqua, todas na região central. A companhia afirma ter aceitado a proposta de transferência para a rua Helvétia, no bairro de Santa Cecília, e que estava há três meses tentando contato com a prefeitura para a relocação, mas sem retorno.
A demolição começou no sábado (21), quando equipes vinculadas da prefeitura e do governo estadual começaram a retirar o telhado da estrutura. No domingo (22), a desmontagem foi concluída, e os materiais foram levados para um terreno municipal na avenida do Estado.