SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma operação interestadual mira nesta terça-feira (24) suspeitos ligados ao golpe do falso advogado. A investigação foi conduzida pela polícia de Santa Catarina e, em São Paulo, são cumpridos dois mandados de prisão e seis de busca e apreensão. Um dos alvos foi detido sob suspeita de estelionato qualificado cibernético.

A ação policial ocorre também em outros três estados: Bahia, Alagoas e Ceará. As investigações revelaram que criminosos descobriam as senhas pelas quais advogados acessavam o sistema de Justiça, consultavam processos em andamento e entravam em contato com os respectivos clientes usando fotos dos defensores. As vítimas geralmente tinham algum precatório (um pagamento da Fazenda Pública) para receber.

Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), os suspeitos clonavam a foto do advogado a partir das redes sociais e diziam aos clientes que o valor enfim seria pago. Para tanto, cobravam taxas inexistentes por meio do Pix. A identificação dos envolvidos não foi revelada e a reportagem não conseguiu localizar as respectivas defesas.

A Folha mostrou em fevereiro que o golpe do falso advogado tem se espalhado no país e deixado de ser uma fraude pontual, de acordo com autoridades e entidades da advocacia. Com isso, o esquema passou a apresentar características típicas da atuação de organizações criminosas, como divisão estruturada de tarefas, uso sistemático de dados judiciais e atuação simultânea em diferentes estados.

Somente no ano passado, 73 casos foram denunciados ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça). No primeiro mês deste ano, já foram três registros, o primeiro deles em São Paulo.

Neste mês, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que busca "prevenir, detectar, reprimir e reparar fraudes praticadas" por falsos advogados. O projeto cria os crimes de fraude processual eletrônica mediante impersonação profissional e uso indevido de credencial de acesso à Justiça. O texto será analisado pelo Senado.