SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Os acusados pelo espancamento de uma capivara na zona norte do Rio de Janeiro foram enquadrados no Decreto Cão Orelha e terão que pagar, cada um, R$ 20 mil por maus-tratos a animal silvestre. As multas somadas chegaram a R$ 160 mil.
É a primeira vez que o Ibama aplica as novas regras, editadas pelo governo federal em 13 de março. O decreto foi apelidado de "Cão Orelha", em referência a um cachorro comunitário morto após agressões em Florianópolis, em Santa Catarina, em janeiro.
O governo federal aumentou as multas para crimes ambientais, incluindo maus-tratos a animais silvestres. Com a mudança, os valores passaram de R$ 300 a R$ 3 mil para uma faixa de R$ 1.500 a R$ 50 mil.
Os ataques ao animal aconteceram na madrugada de sábado na orla do Quebra Coco, no Jardim Guanabara, Ilha do Governador. Os oito acusados utilizaram barras e ripas com pregos para agredir o animal.
Imagens de câmeras de segurança registraram os homens batendo na capivara. O mamífero herbívoro foi encontrado horas depois, todo machucado em um terreno baldio.
Equipes da Patrulha Ambiental da Prefeitura do Rio relataram que o bicho ficou gravemente ferido. A capivara foi sedada e segue aos cuidados da Clínica de Reabilitação de Animais Silvestres.
As prisões dos seis envolvidos foram convertidas em preventivas e dois adolescentes envolvidos devem ser internados provisoriamente. A decisão foi publicada ontem pela Justiça fluminense, um dia após a repercussão do ataque a capivara na Ilha do Governador.
Isaías Melquiades, José Renato Beserra, Matheus Henrique Teodósio, Paulo Henrique Santana e Pedro Eduardo Rodrigues, e Wagner da Silva Bernardo vão responder à Justiça detidos, decidiu o TJRJ. Além disso, a Vara de Infância e da Juventude determinou que os dois adolescentes que foram flagrados participando do ato sejam apreendidos.
As prisões foram determinadas após imagens mostrarem o animal sendo perseguido e espancado pelo grupo. A capivara foi maltratada e sofreu traumatismo craniano, com edemas e sangramento nasal.
Uma pessoa disse para a polícia que tentou impedir as agressões e por isso apanhou também. Testemunhas relataram que o grupo já havia perseguido outros animais antes.
Todos os envolvidos devem responder por maus-tratos, associação criminosa e corrupção de menores. Para conversão da prisão em preventiva, o Juízo descreveu o ato como de "extrema crueldade".
"A gravidade em concreto do delito demonstra a necessidade da prisão cautelar para a garantia da ordem pública. As imagens amplamente divulgadas pela mídia e que circulam nas redes sociais revelam a extrema crueldade do crime praticado. (...) Ante o exposto, converto a prisão em flagrante em prisão preventiva. Expeça-se mandado de prisão", disse o juiz Rafael Rezende.