SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um homem denunciou à polícia ter sido alvo de tentativa de extorsão após criminosos acessarem seus dados pessoais -incluindo CPF, nomes de familiares e imagem de documento- e usarem as informações para exigir dinheiro e divulgar sua imagem com acusações falsas nas redes sociais.
A vítima, o jornalista Lucas Veloso, 31, afirma que os suspeitos entraram em contato por WhatsApp dizendo que ele estaria envolvido em um suposto golpe contra uma loja de celulares em Duque de Caxias (RJ) e passaram a exigir o pagamento de cerca de R$ 8.000 para não darem continuidade às acusações. Ele registrou boletins de ocorrência em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Durante a abordagem, os suspeitos demonstraram acesso a uma série de informações pessoais detalhadas. "Eles falaram dados meus, dos meus pais, minha data de nascimento, meu CPF, coisas que nem eu tenho decorado", afirmou.
Veloso diz que percebeu se tratar de um golpe ainda no início da conversa, mas decidiu manter o contato para tentar entender como os dados haviam sido obtidos. "Continuei falando com eles para entender de onde tinham tirado aquilo tudo".
Os suspeitos chegaram a enviar capturas de tela com informações adicionais, incluindo dados cadastrais e referências pessoais. Em uma delas, havia a data de aniversário e outros dados pessoais detalhados.
Com o avanço das conversas, os suspeitos passaram a fazer ameaças e citar nomes de familiares do jornalista. "Eles começaram a falar o nome da minha mãe, da minha irmã. Foi aí que a situação ficou mais grave". Ele registrou parte das interações por meio de gravações, prints e áudios.
Pouco tempo depois, amigos passaram a alertá-lo de que sua imagem estava sendo divulgada nas redes sociais. A foto e a imagem da CNH de Veloso, acompanhadas da acusação de que ele estaria aplicando golpes na região de Duque de Caxias, foram publicadas pelo perfil de Bruna Ribeiro, 33, dona da loja supostamente alvo do golpe.
As publicações incentivavam o compartilhamento do conteúdo e pediam que outros usuários denunciassem o jornalista, ampliando o alcance da exposição.
Procurada, Bruna afirmou que também foi vítima de um golpe e que teve prejuízo de R$ 8.172 após a venda de dois celulares. Segundo ela, os suspeitos se passaram por clientes, enviaram um comprovante falso de pagamento e conseguiram retirar os aparelhos.
A empresária diz que a divulgação da imagem de Veloso ocorreu em meio ao desespero para tentar identificar os responsáveis. "A gente começou a pedir ajuda e recebeu informações de outras pessoas. Acabei postando, mas depois vi que ele também era vítima."
Após a repercussão, ela disse ter feito uma transmissão ao vivo para se retratar e reconhecer que Veloso não tinha envolvimento no caso.
Diante da situação, o jornalista e pessoas próximas passaram a denunciar os perfis às plataformas. Ele também tentou contato com a Meta, responsável pelas redes sociais onde o conteúdo foi publicado, mas afirma que não recebeu retorno.
A reportagem também tentou contato com a Meta, por meio de assessoria de imprensa, por telefone e e-mail, mas não obteve resposta sobre a retirada do ar dos materiais.
"Tudo aconteceu dentro das plataformas e eu não tive nenhuma resposta. E olha que eu sou jornalista. Imagina quem não tem acesso a esse tipo de contato", disse.
Os perfis que divulgaram o conteúdo saíram do ar, mas não há confirmação se a remoção foi feita pela plataforma ou pelos próprios responsáveis.
A SSP (Secretaria de Segurança Pública) paulista disse que o caso foi registrado como extorsão e difamação na Delegacia Eletrônica. "A vítima foi orientada sobre a necessidade de representação criminal para prosseguimento da atuação policial". Veloso disse que vai fazer isso esta semana.
Procurada por email, a Polícia Civil do Rio de Janeiro não respondeu aos questionamentos da reportagem.