SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta quarta-feira (25) os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), que indica outros cenários da educação brasileira, como alimentação, consumo de bebidas alcoólicas e drogas, saúde sexual e mental e atividade física dos estudantes das escolas públicas e privadas do país.

No levantamento por estados é possível perceber que a região Norte é onde os estudantes adolescentes mais enfrentam problemas relacionados a sua sexualidade. São naqueles estados que estão as maiores porcentagens de alunos que afirmaram já terem tido relações sexuais e que também, alguma vez na vida, já foram ameaçados, intimidados ou obrigados a ter relações sexuais ou qualquer outro ato sexual contra a sua vontade.

O Amazonas lidera nos dois quesitos, com 40,6% e 14%, respectivamente. O Amapá também se destaca como o terceiro estado com mais estudantes que já tiveram relação sexual e o segundo em que os adolescentes mais foram forçados ao ato.

Não por coincidência, essas duas unidades federativas também despontam quando o tema é sobre problemas de saúde mental. O Amapá lidera e é seguido pelo Amazonas nas listas tanto de automutilação, quando os estudantes afirmaram sentir vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores à pesquisa, quanto no de solidão, caso daqueles que afirmaram que ninguém se preocupava com eles na maioria das vezes ou sempre, nos 30 dias anteriores ao levantamento.

Em outro quesito relacionado à segurança nas escolas, os amazonenses mais uma vez mostraram ser os mais inseguros. O total de 17,7% dos respondentes afirmou que não compareceu à aula por falta de segurança na escola nos 30 dias anteriores à pesquisa.

Logo atrás, com 17,6%, aparece o Rio de Janeiro, onde há uma rotina de tiroteios que fecham comércios e colégios em várias regiões do estado, devido aos confrontos entre traficantes de facções rivais e às operações da polícia contra o crime organizado.

Em outro ponto da pesquisa, o IBGE perguntou se os adolescentes já experimentaram drogas ilícitas alguma vez na vida, e o Distrito Federal aparece na liderança com 12,2%, seguido por Rio Grande do Sul (11,4%) e Espírito Santo (10,5%).

A PeNSE é o principal inquérito nacional voltado à investigação de atitudes, hábitos e cuidados de saúde entre adolescentes brasileiros, fornecendo informações importantes sobre fatores de risco e proteção a essa população. Segundo os pesquisadores, diversos comportamentos adotados nessa fase tendem a persistir ao longo da vida, influenciando de maneira decisiva a qualidade de vida adulta.

O levantamento consistiu na coleta de dados de mais de 118 mil estudantes de 13 a 17 anos de escolas públicas e privadas de 1.282 cidades de todas as regiões do país no ano de 2024. Os adolescentes respondem, de forma sigilosa, a um questionários com diversas perguntas sobre comportamento e saúde.