SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um terço dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos disse já ter sentido vontade de se machucar de propósito. Entre as meninas, 43,4% relataram esse sentimento, mais do que o dobro do índice registrado entre os meninos, que foi de 20,5%.
Os dados são da PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde Escolar) divulgada na manhã desta quarta-feira (25) pelo IBGE.
A PeNSE é o principal inquérito nacional voltado à investigação de atitudes, hábitos e cuidados de saúde entre adolescentes brasileiros, fornecendo informações importantes sobre fatores de risco e proteção a essa população. Segundo os pesquisadores, diversos comportamentos adotados nessa fase tendem a persistir ao longo da vida, influenciando de maneira decisiva a qualidade de vida adulta.
A pesquisa feita em 2024 é a primeira realizada após a pandemia, a anterior havia sido realizada em 2019. Para os pesquisadores, a comparação entre as duas permite avaliar os impactos da crise sanitária sobre comportamentos, exposições e condições de saúde dos estudantes.
O levantamento consistiu na coleta de dados de mais de 118 mil estudantes de 13 a 17 anos de escolas públicas e privadas de 1.282 cidades de todas as regiões do país. Os adolescentes respondem, de forma sigilosa, a questionário com diversas perguntas sobre comportamento e saúde.
Além da vontade de se machucar ser mais recorrente entre meninas, ela também foi maior entre adolescentes de 13 a 15 anos (32,7%) do que nos de 16 e 17 anos (30,7%). Em relação às grandes regiões do país, o maior percentual foi observado na região Norte (34,5%) contra o da região Sudeste (31,3%) com o menor percentual nacional.
Em outras perguntas da pesquisa, as meninas também relataram maior sofrimento emocional. Um terço delas (33,3%) disse ter sentido nos 30 dias anteriores à pesquisa que ninguém se preocupava com elas. Entre os meninos, esse índice foi de 19%.
"A percepção do indivíduo de que se é importante para alguém, de que se faz parte de algo, por exemplo, é relevante para sua saúde e bem-estar mental e social. O ser humano desprovido de sentimentos como apreço e pertencimento tende a apresentar comportamentos de tristeza, desesperança", diz o relatório da pesquisa.
O percentual de adolescentes que responderam sentir que ninguém se preocupava com eles foi maior também na rede pública (26,7%) do que na particular (23,3%). "Esses resultados podem representar vulnerabilidades na vida dos adolescentes economicamente desfavorecidos, uma vez que a rede de apoio social é fundamental para a saúde mental dos adolescentes, auxiliando-os a lidar com afetos intoleráveis como tristeza, raiva, ansiedade, desesperança, desamparo."
As meninas também relataram maior sentimento de tristeza, sendo que 41% delas responderam se sentir tristes sempre. Enquanto, 16,7% dos meninos responderam o mesmo.
Além disso, 25% delas afirmaram que a "vida não vale a pena ser vivida" ?sentimento duas vezes maior do que o observado entre os meninos (12%).
BULLYING
A pesquisa também identificou uma tendência de aumento do percentual de estudantes declarando sofrer bullying no Brasil, subindo de 23%, em 2019, para 27,2%, em 2024. As meninas relataram se sentirem mais humilhadas por provocações de colegas do que os meninos ?30,1% delas relataram sofrer bullying contra 24,3% deles.
Os dados revelam ainda que os meninos são a maioria dos que reconhecem praticar bullying, sendo que 16,5% deles afirmaram já ter zombado, intimidado ou caçoado de algum colega de escola. Enquanto entre elas, foram 10,9%.
A aparência do rosto ou do cabelo (30,2%) e a aparência do corpo (24,7%) são os principais motivos de terem sofrido bullying citados pelos escolares, reforçando a centralidade do padrão corporal nas agressões.
Em seguida aparece a cor ou raça (10,6%), que revela a presença significativa de bullying com conotação racial. O uso de roupas, sapatos, mochila ou material escolar usado pelos estudantes (10,1%) dão o tom do bullying sofrido em função de diferenças econômicas ou identidades juvenis. O sotaque ou jeito de falar (8,9%), religião (7,1%) e gênero ou orientação sexual (6,4%) aparecem em seguida.
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ONDE BUSCAR AJUDA EM CASO DE PENSAMENTOS SUICIDAS
A recomendação dos psiquiatras é que a pessoa busque qualquer serviço médico disponível
NPV (Núcleo de Prevenção à Violência)
Os NPVs são constituídos por ao menos quatro profissionais dentro das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e de outros equipamentos da rede municipal. Para acolher e resguardar as vítimas, os núcleos atuam em parceria com o Ministério Público, a Defensoria Pública, o Conselho Tutelar, a Secretaria Municipal de Educação e a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social.
Pronto-Socorro Psiquiátrico
Ideação suicida é emergência médica. Caso pense em tirar a própria vida, procure um hospital psiquiátrico e verifique se ele tem pronto-socorro. Na cidade de São Paulo, há opções como o Pronto Socorro Municipal Prof. João Catarin Mezomo, o Caism (Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental) e o Hospital Municipal Dr. Arthur Ribeiro de Saboya.
Mapa da Saúde Mental
O site, do Instituto Vita Alere, mapeia serviços públicos de saúde mental disponíveis em todo território nacional, além de serviços de acolhimento e atendimento gratuitos, além de ações voluntárias realizadas por ONGs e instituições filantrópicas, entre outros. Também oferece cartilhas com orientações em saúde mental.
CVV (Centro de Valorização da Vida)
Voluntários atendem ligações gratuitas 24 h por dia no número 188, por chat, via email ou diretamente em um posto de atendimento físico.