RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Promotoria do Rio de Janeiro propôs nesta terça-feira (24), durante audiência de instrução e julgamento da advogada argentina Agostina Páez, acusada de racismo, que ela pague dez anos de salário mínimo, o equivalente a R$ 194.520, aos três funcionários do bar vítimas dos gestos.
O caso aconteceu em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro, no dia 14 janeiro. Segundo a denúncia, durante discussão pelo valor da conta, a argentina chamou um funcionário do bar de "mono", macaco em espanhol. Ela foi gravada em vídeo imitando gestos de macaco em direção aos funcionários.
Na época, a defesa negou que os gestos tivessem caráter racista e sustentou que a reação teria sido dirigida a amigas da própria argentina como brincadeira. A versão foi contestada pelo Ministério Público.
O julgamento na 37ª Vara Criminal do Rio ainda não foi encerrado e não houve sentença, mas, segundo a advogada Carla Junqueira, que defende a turista, a Promotoria concordou com o pedido de revogação das medidas cautelares ?como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de deixar o Brasil. O Tribunal de Justiça afirmou que o caso corre sob sigilo.
Antes de deixar o país, contudo, Agostina precisa depositar metade [R$ 97.620] do que foi proposto pelo Ministério Público. O valor será dividido entre os três funcionários.
A advogada disse que aguarda o despacho do juiz para que Agostina seja liberada para voltar à Argentina. "Obviamente tenho que seguir aqui com os cuidados e me protegendo, mas com a decisão de poder voltar já me deixa muito mais tranquila", afirmou Agostina.
Em entrevista a jornalistas no consulado, nesta quarta (25), Agostina afirmou ter pedido desculpas aos três funcionários durante o julgamento. "Cada vítima fazia declarações e ao final disso eu lhes pedia desculpas, em separado, olhando no olho e pedindo-lhes perdão", afirmou.
Em texto publicado nas redes sociais, a advogada de Agostina, Carla Junqueira, afirmou que a Justiça brasileira "soube reconhecer o erro de um jovem, mas, ao mesmo tempo, enxergar que esse erro não define uma vida inteira".
"Foi possível conceder perdão às vítimas, que demonstraram uma generosidade imensa ao compreender que ele aprendeu, se transformou e hoje é outra pessoa", escreveu.
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