SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No lobby do hotel The Westin São Paulo, aberto ano passado no Itaim Bibi, uma fileira de torneiras chama atenção. Batizada de fonte The Well, permite que hóspedes e visitantes se sirvam à vontade -e de graça- de água natural e gelada, com e sem gás.
A cobrança pela água de beber tem sido abolida por vários hotéis. É o caso do JW Marriott São Paulo e do Zendaya Resort, em Búzios (RJ), onde duas garrafas de água mineral são cedidas como cortesia, a cada diária.
No Sandi Hotel, em Paraty (RJ), , a mesma quantidade de água mineral é ofertada em latinhas. Já no Toriba, em Campos do Jordão (SP), vem de nascente própria a água servida nos restaurantes e nas suítes.
No grupo Clara Resorts, segundo a presidente Taiza Krueder, a decisão de instalar purificadores de água em todas as suítes foi ideológica. "Nossos hóspedes deixaram de consumir 180 mil garrafas plásticas por ano. Fizemos as contas e percebemos que o benefício para a natureza seria maior. Não foi uma decisão fácil, mas tenho orgulho dela", afirma a hoteleira.
Hotéis que ainda cobram pelas garrafas de água do frigobar podem ser obrigados, em breve, a mudar de postura. O projeto de lei 5.569/2023, aprovado em julho de 2025 pelo Senado, depende agora de aprovação pela Câmara dos Deputados.
Apresentado pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT), o texto determina o fornecimento obrigatório de água potável em eventos -a motivação foi a morte de Ana Clara Benevides Machado no show de Taylor Swift, no Rio de Janeiro, em novembro de 2023-, mas vai além, incluindo também hotéis, bares, restaurantes, casas noturnas e teatros.
Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih Nacional), Sérgio Gaspar Pereira afirma que a demanda é legítima e está alinhada com os valores do setor, uma vez que disponibilizar água potável aos hóspedes já faz parte da rotina de muitos hotéis brasileiros, seja por meio de filtros, bebedouros, garrafas cortesia ou estações de hidratação.
"No entanto, é importante que eventuais regulamentações levem em consideração a realidade tanto das grandes redes quanto dos pequenos hotéis independentes, pousadas e empreendimentos familiares", explica.
Em Sergipe, onde uma lei estadual similar está em vigor desde 2018, o presidente da Abih-Sergipe, Antonio Carlos Franco Sobrinho, garante que a prática é viável. "Hoje, a maioria dos associados conseguiu incorporar essa prática. A experiência demonstra que políticas públicas bem estruturadas protegem o consumidor sem comprometer os estabelecimentos."