SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A professora da Unicamp suspeita de furtar material biológico de um laboratório teria passado por pelo menos dois laboratórios com as amostras virais. Todos eles ficam dentro da própria universidade.

Material teria sido transportado para pelo menos dois laboratórios. Segundo termo de audiência que concedeu liberdade provisória a Soledad Palameta Miller, as amostras de vírus do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada foram encontradas em um freezer no Laboratório de Engenharia Metabólica e de Bioprocessos (Lemeb), da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), e no Laboratório de Doenças Tropicais Professor Luiz Jacinto da Silva, do Instituto de Biologia.

No Laboratório de Doenças Tropicais, além das amostras, também foi localizado material descartado. Segundo o documento, obtido pelo UOL, o material "provavelmente" tinha passado por esterilização, ou seja, estava pronto para o descarte.

Soledad não tinha laboratório em uma das faculdades. O documento cita que a pesquisadora "não tinha laboratório próprio na FEA" e que "se utilizava de laboratórios de outros professores". Soledad atua na área de Ciência de Alimentos da FEA da Unicamp.

No caso do Laboratório de Doenças Tropicais, Soledad tinha "anuência prévia dos responsáveis pelo laboratório para utilização do local". Ela estaria acessando os locais com as credenciais de terceiros, segundo o documento.

Em outro laboratório, foi identificado descarte de frascos. No Laboratório de Cultura de Células, também no Instituto de Biologia, as equipes encontraram dentro de uma lixeira "grande quantidade de frascos descartados", como sendo do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada. No entanto, não há informações sobre amostras de vírus encontradas neste laboratório.

Distância entre laboratórios é de cerca de 3 minutos a pé. O Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada, de onde as amostras foram subtraídas, fica na mesma rua que o Lemeb, onde foi encontrada parte das amostras. A distância entre os dois é de 180 metros. Já o Laboratório de Doenças Tropicais fica no mesmo complexo do laboratório de onde as amostras foram subtraídas, mas um pouco mais distante que o laboratório da FEA. São 290 metros de distância entre o Laboratório de Doenças Tropicais e o Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada.

A reportagem tenta contato com a defesa de Soledad. O texto será atualizado tão logo haja manifestação.

ENTENDA O CASO

Soledad foi presa em flagrante na segunda-feira pela PF, em Campinas. Ela foi detida por suspeita de furtar material biológico armazenado no Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da Unicamp.

A professora foi liberada pela Justiça após audiência de custódia, quando foram estabelecidas medidas cautelares. Soledad, que estava detida na Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu (SP), deverá comparecer mensalmente na 9ª Vara Federal de Campinas, está proibida de se afastar do município sem autorização judicial, não pode deixar o Brasil e precisou pagar fiança de dois salários-mínimos.

A docente também foi proibida de acessar os laboratórios da Unicamp envolvidos na investigação. A decisão foi proferida na terça-feira pela juíza federal Valdirene Ribeiro Falcão.

A universidade afirma colaborar com as investigações. Em nota, a Unicamp informou que mantém cooperação com as autoridades e que preservará detalhes do caso para não comprometer o andamento do inquérito.