RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Uma mulher considerada foragida da Justiça do Ceará foi presa na última terça-feira (24), na Taquara, na zona sudoeste do Rio de Janeiro. A suspeita, Elane Cristina Santos Silva, 34, é esposa de Gilberto de Oliveira Cazuza, conhecido como Gilberto Mingau, apontado como líder de uma facção criminosa e acusado de expulsar moradores do distrito de Uiraponga, em Morada Nova (CE), transformando a localidade em um território fantasma.
A detenção ocorreu em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela comarca de Tabuleiro do Norte. Segundo as investigações, Elane teria participação ativa nas ações do grupo criminoso, sendo responsável por emitir ordens para ataques contra rivais, além de envolvimento em roubos e extorsões contra moradores e empresários da região do Vale do Jaguaribe.
Mesmo no Rio de Janeiro, ela continuaria coordenando atividades da organização no Ceará.
A polícia não informou se ela tem advogado e a reportagem não conseguiu localizar o responsável pela sua defesa nesta quinta-feira (26).
A prisão foi realizada em uma ação conjunta da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e das polícias civis do Rio de Janeiro e do Ceará. Após ser detida, Elane foi encaminhada à 22ª Delegacia de Polícia, na Penha.
Gilberto Mingau, 35, é considerado um dos criminosos mais procurados do Ceará, com antecedentes por homicídios e tráfico de drogas, segundo a polícia. Contra ele, há seis mandados de prisão, e a polícia suspeita que esteja escondido em uma comunidade no Rio de Janeiro.
A disputa entre facções no distrito de Uiraponga intensificou a violência na região, especialmente após o rompimento entre Mingau e seu ex-aliado, José Witals da Silva Nazario, conhecido como Playboy. A rivalidade provocou confrontos armados e ameaças, forçando moradores a abandonarem suas casas e buscarem abrigo em outras áreas. A Folha de S.Paulo mostrou em janeiro como a violência tem assustado os moradores da região.
A gravidade da situação levou a Prefeitura de Morada Nova a decretar estado de emergência em agosto de 2025, com medidas como a realocação de alunos da rede municipal e a transferência de atendimentos de saúde para unidades em locais mais seguros.
José Witals foi preso em julho de 2025 em São Paulo após ação conjunta das forças de segurança. Ele possui extensa ficha criminal, incluindo passagens por homicídio, roubo e tráfico de drogas, segundo a polícia.
A reportagem não conseguiu identificar e contatar os responsáveis pelas defesas de Gilberto e José Witals.