SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A linha 17-ouro do metrô de São Paulo vai ser inaugurada na próxima terça-feira (31) e funcionará em horário reduzido, com trens chegando em sete das oito estações do ramal, entre Morumbi e aeroporto de Congonhas -a Washington Luís ficará para um segundo momento.
Neste primeiro momento, não haverá cobrança de passagem.
Prometida para a Copa do Mundo de 2014, será entregue às vésperas do Mundial de 2026, que será disputado em junho nos Estados Unidos.
No início da operação assistida, os trens deverão circular das 10h às 15h, com intervalo de aproximadamente 7 minutos entre eles. O total da linha disponível no começo deverá ser percorrido em 20 minutos. O horário limitado de funcionamento deve se estender até o fim de setembro.
Conforme o presidente do Metrô, Antônio Julio Castiglioni Neto, quatro dos 14 trens que irão compor a linha devem estar disponíveis neste início, sendo que dois vão circular entre as estações e dois ficarão como reservas.
A estação Washington Luís ficará para um segundo momento porque a linha foi construída em sistema de "Y", o que é uma novidade para o metrô paulistano.
Pelo modelo, um trem sai da região do Morumbi, entre as zonas oeste e sul, e vai até a estação Congonhas, na zona sul. Já outro segue para a Washington Luís.
Como apenas dois trens devem operar simultaneamente neste início, ficaria inviável que fizessem caminhos diferentes por causa da espera para o passageiro, que iria crescer.
"Nesse primeiro momento, por uma questão de segurança, vamos operar até Congonhas", afirmou o governador.
Com 6,7 km de extensão, o trecho tem oito estações, que estão praticamente prontas -estão sendo realizados os últimos detalhes de acabamento.
Em julho do ano passado, a Folha de S. Paulo acompanhou parte dos primeiros testes com os dois trens que já estavam disponíveis na época.
As composições foram produzidas sob medida na China pela BYD -a última está a caminho do Brasil, segundo o governador.
Os trens são totalmente automáticos, ou seja, sem operador, assim como ocorre na linha 15-prata, também monotrilho que opera sobre pneus (são 80 em cada composição, no caso da linha 17).
Neste começo de operação, entretanto, um operador deverá acompanhar todas as viagens de dentro do trem.
Com bancos de plástico sem revestimento, o trem tem largos corredores para permitir a circulação de passageiros -a capacidade é para pouco mais de 600 pessoas. Existem painéis informativos no interior.
As luzes podem mudar de cor no assoalho, o que chama a atenção de quem vê o trem à noite lá no alto.
O trem da linha 17-ouro é o único no mundo com baterias recarregáveis, diz o Metrô, e que tem autonomia para até 8 km, ou seja, o suficiente para percorrer toda a linha 17, caso necessário.
As composições têm 60 metros de comprimento e contam com cinco vagões.
COLEÇÃO DE ATRASOS
A linha suspensa de metrô, orçada atualmente em R$ 5,8 bilhões, colecionou uma série de atrasos e contratos rompidos até os trens começarem a rodar em testes a partir do meio do ano passado.
Quando projetada, a linha foi questionada por especialistas em relação à eficácia no uso de monotrilho para transporte público em massa.
Construída do outro lado da avenida Washington Luís, a estação Aeroporto de Congonhas é ligada ao local homônimo por meio de um túnel de 65 metros de comprimento.
A expectativa é que cerca de 100 mil pessoas por dia usem o transporte público.
Uma série de dificuldades contribuiu para que o atraso na construção da linha fosse tão grande, como o rompimento de contrato por fornecedores, o envolvimento de construtoras no escândalo da Lava Jato e a pandemia de Covid-19.
A desistência da fornecedora de trens, a empresa malasiana Scomi, em 2019, ajudou a atrasar ainda mais. O trilho havia sido projetado especificamente para a composição da empresa -o formato é diferente da linha 15, por exemplo- e não havia uma alternativa à disposição.
A gestão João Doria (à época no PSDB) assinou um contrato com a fabricante chinesa BYD para que ela desenvolvesse um modelo de trem.
A Motiva (ex-CCR) fará a gestão da linha, cujo projeto original previa 18 estações.