SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Todas as unidades da federação registram tendência de crescimento de casos de Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave) nas últimas seis semanas, segundo o boletim InfoGripe da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgado nesta quinta-feira (26). O avanço da forma severa de infecção respiratória é puxado pelo aumento de hospitalizações por influenza A, rinovírus e VSR (vírus sincicial respiratório).
Em 2026, já foram notificados 24.281 casos de Srag no país. Desses, 9.443 (38,9%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 9.951 (41%) foram negativos e cerca de 3.085 (12,7%) aguardam resultado.
Das 27 unidades da federação, 22 estão com nível de atividade em alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas: Rio de Janeiro, Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Sergipe, Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. O mesmo quadro se repete nas capitais: 22 das 27 estão em alerta, risco ou alto risco.
VÍRUS E FAIXAS ETÁRIAS
O rinovírus ?principal agente do resfriado comum, mas capaz de causar Srag em grupos vulneráveis? é o maior responsável pelo aumento de internações entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Já entre jovens, adultos e idosos, a influenza A (subtipo do vírus da gripe sazonal) é a principal causa de hospitalizações graves.
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, o rinovírus respondeu por 45% dos casos positivos de Srag, seguido pela influenza A (27,8%), VSR (14,6%), Sars-CoV-2 (9,1%) e influenza B (1,4%).
Entre os óbitos, o quadro se inverte: a influenza A lidera, com 35,9% dos positivos, seguida pela Covid-19 (29,1%), rinovírus (27,2%), VSR (5,8%) e influenza B (2,9%).
O VSR ?vírus que causa bronquiolite e pneumonia, especialmente em bebês? contribui para o crescimento de casos em crianças menores de 2 anos no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O metapneumovírus impulsiona o aumento em crianças pequenas no Distrito Federal e em Minas Gerais.
Quanto à influenza A, o boletim aponta indícios de interrupção do crescimento no Pará, Ceará e Pernambuco. Nos demais estados do Nordeste, além de Amapá, Rondônia, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso, os casos seguem em alta.
Segundo Cristiano Gamba, infectologista do Hospital Samaritano Paulista, da Rede Américas, o surto chama atenção pela precocidade: os vírus respiratórios costumam circular com mais intensidade no meio do outono e início do inverno, mas já na entrada da estação o país registra aumento relevante de casos graves.
Ele destaca ainda que rinovírus e VSR não são cobertos pela vacina da gripe, o que significa que a imunização, embora essencial, não é suficiente para conter o quadro atual. "A Srag deste ano não é causada por um único vírus. Temos influenza A, rinovírus e VSR circulando ao mesmo tempo, e isso explica o aumento das internações", afirma Gamba.
O Ministério da Saúde inicia a campanha nacional de vacinação contra a gripe neste sábado (28), data em que será realizado o Dia D pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Os imunizantes estarão disponíveis nos postos de saúde das regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. Na região Norte, a imunização ocorrerá no segundo semestre, por causa da sazonalidade da doença.
Neste primeiro momento, pode receber o imunizante apenas o público prioritário, composto por crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, idosos e profissionais de saúde, grupos que apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença. Os estados também podem definir critérios próprios para atender outros grupos, como professores, durante a campanha, que será finalizada no dia 30 de maio.
Em 2025, a cobertura vacinal contra a gripe no Brasil ficou muito abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Dados parciais indicam adesão em torno de 40% entre os grupos prioritários, sem que nenhum estado tenha atingido o objetivo. O país fechou o ano com 59 milhões de doses aplicadas.
Para a população em geral, o infectologista recomenda evitar locais aglomerados, especialmente para grupos de risco. Quem estiver com sintomas de gripe ou resfriado deve ficar em casa; se não for possível, o uso de máscara cirúrgica é indicado ?e, se disponível, PFF2 ou N95.