SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O centro de São Paulo foi tomado por corredores e caminhantes na manhã deste domingo (29), durante a corrida que celebrou os 105 anos da Folha. Com saída e chegada no Vale do Anhangabaú, a prova reuniu participantes de diferentes perfis em percursos de 3 km, 5 km e 10 km.

Logo na largada, às 6h30, os corredores passaram por marcos históricos, como o Palácio dos Correios e o Edifício Martinelli, seguindo pela avenida São João, com passagem pelo largo do Paiçandu e pelo cruzamento com a Ipiranga.

"O centro histórico é icônico porque ele resiste, e a Folha faz parte dessa história --e faz parte da minha também", diz a designer e arquiteta Lara Regina, 69, que correu a prova de 5 km. Ela integra o coletivo de corrida Corre Kilombo e pratica o esporte desde 2017.

O Corre Kilombo foi fundado pelo atleta Augusto Rocha, também criador do Axécimento --aquecimento ao som de axé que abriu a programação a arena da Corrida da Folha.

Habitual corredor da região central, Rocha completou o percurso de 10 km. "Toda vez que eu pratico esporte aqui conheço uma história diferente desse lugar", conta o atleta de Salvador (BA) que vive na capital paulista há 21 anos.

A corrida avançou em direção à rua Conselheiro Nébias, nos Campos Elíseos, e teve retorno pela alameda Barão de Limeira, onde os corredores passaram em frente ao prédio da Folha. O clima estava fresco, favorável para a prática esportiva.

Na sequência, o trajeto seguiu pela avenida Ipiranga, contornando a praça da República, e passou pela rua 24 de Maio, onde ficam a Galeria do Rock e o Sesc 24 de Maio, antes de retornar ao Anhangabaú.

Entre os desafios do trajeto, a subida da rua Líbero Badaró, entre a São João e o Viaduto do Chá, exigiu mais dos participantes das provas de 5 km e 10 km --no caso da distância mais longa, enfrentada duas vezes.

Para quem optou pela caminhada de 3 km, o evento ofereceu uma alternativa mais leve. "Eu comecei a caminhar há pouco tempo e esse passeio no centro me lembrou da minha época de office boy na região", disse José Tomás, 69, que participou acompanhado da família.

Nos percursos mais longos, o trajeto incluiu ainda trechos pelo centro velho, com passagem por pontos como o Theatro Municipal de São Paulo, o edifício do antigo Mappin e o Viaduto do Chá.

Na chegada, o clima era de celebração. João Dalva, 20, estudante de jornalismo, ficou em primeiro lugar no pódio dos 5 km. "Vendo o centro de manhã, vazio, a gente repara em coisas que no dia a dia passam batidas", diz. Correndo há cinco anos, João conta que o esporte se tornou essencial para sua saúde mental. "Se estou com a cabeça cheia, coloco tudo no treino e sempre me sinto mais leve."

Já a biomédica Michele Rodrigues, 39, conta que já corre há alguns anos e nunca se inscreveu na corrida da Folha por causa de uma memória de infância.

"Meu pai lia a Folha todo domingo e eu cresci lendo a Folhinha, então é nostálgico pra mim participar. Além de que o visual [do centro] anima, você vai reparando nos prédios e se distrai [da corrida]", diz.

Na prova mais longa, de 10 km, o primeiro colocado entre os homens foi o educador esportivo Luiz Ferreira de Mesquita, 22, com tempo de 35 minutos e 46 segundos. Nascido em Serrinha (RN), ele mora em São Paulo há 26 anos.

Entre as mulheres, a campeã foi a recepcionista Neiriani Costa Pereira, 36, de Bela Cruz (CE). Ela completou o percurso em 43 minutos e 1 segundo.

A corrida integra as comemorações de aniversário do jornal e foi pensada para reunir desde iniciantes até corredores experientes.

Para o diretor de marketing da Folha, Anderson Demian, a corrida tem o papel de aproximar os leitores não só do jornal, mas da própria cidade. "É um convite pra conhecer melhor esse lugar que faz parte da história da Folha e, ao mesmo tempo, se movimentar."

Ele conta ainda que a corrida deve se tornar um evento anual. "Foi um sucesso, tivemos quase 4.000 inscritos, entre eles várias famílias, o que mostra que as pessoas têm interesse nesse tipo de evento."