SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O tribunal do júri de Paraty (RJ) absolveu os dois acusados de envolvimento no assassinato do artista plástico francês Cedric Alexandre Vacherie Jaurgoyhen. O crime aconteceu em 2018.

Absolvição de pai e filho ocorreu na terça-feira (26/3). Ricardo dos Santos e Cecílio dos Santos foram julgados e inocentados das acusações de homicídio e coação de testemunha, respectivamente.

Ricardo foi solto após a decisão do tribunal. Ele estava preso havia um ano e três meses, enquanto seu pai, Cecílio, aguardava o julgamento em liberdade após prisão preventiva em 2019.

Placar exato da votação gerou divergências. Uma publicação do grupo Paraty em Rede relatou que a absolvição ocorreu por quatro votos a três, margem mínima no tribunal do júri.

Defesa contesta a contagem e cita o sigilo legal. O advogado César Murat explica que a apuração para no quarto voto. "Nem o juiz tem condições de dizer por quanto foi a absolvição", afirma Murat.

Acusação criticou o resultado e o placar apertado. A advogada da família, Andréa Kirkovits, disse ter feito o possível. "Apresentamos todas as provas existentes, mas ao final quem toma a decisão são os jurados, que absolveram Ricardo por diferença de um voto. Essa foi a justiça dos homens", afirmou.

CONTEXTO DO CRIME

Artista plástico francês foi morto em julho de 2018. Cedric Alexandre Vacherie Jaurgoyhen levou um tiro de espingarda na cabeça, à queima-roupa, em um sítio onde morava na área rural de Paraty.

Motivação do crime seria uma dívida por obras. O Ministério Público denunciou Ricardo por matar o francês por causa de um serviço não pago no sítio, caracterizando motivo fútil.

Influência religiosa dos acusados foi questionada antes do júri. O Ministério Público tentou transferir o julgamento de cidade, alegando que Cecílio é pastor e exerce forte influência, mas a Justiça negou o pedido.

REAÇÕES AO VEREDITO

Relatos apontam clima de culto religioso após a absolvição. O grupo Paraty em Rede afirmou que quase todos os jurados eram fiéis e que o público aplaudiu e cantou hinos ao fim da leitura.

Defesa nega que o juiz tenha permitido comemorações. O advogado César Murat relatou um princípio de festa. "Alguém esboçou um início de comemoração, mas o juiz jamais permitiria que a plateia se manifestasse dessa forma, especialmente porque a mãe da vítima acompanhava o julgamento de forma virtual", disse.

Mãe da vítima expressou tristeza com a libertação dos réus. Martine Jaurgoyhen, que acompanhou a sessão pela internet, lamentou o desfecho. "Estou com o coração partido de ver os assassinos do meu filho soltos", disse à reportagem.