SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Conselho Universitário da USP aprovou nesta terça-feira (31) a proposta da reitoria que cria uma gratificação para professores por atividades adicionais, em meio à campanha salarial das universidades estaduais paulistas.
A medida institui um bônus de R$ 4.500 voltado a docentes que assumirem projetos considerados estratégicos pela universidade, como oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão. A iniciativa já vinha sendo discutida internamente e gerou divisão entre professores, que criticam o impacto sobre a carreira e a negociação por reajuste linear.
Esse pagamento será mensal, em parcelas fixas e irreajustáveis, por até 24 meses. Só poderiam ser contemplados os funcionários que trabalham em período integral na instituição. O mecanismo foi batizado de Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas) e deve custar R$ 238,44 milhões por ano.
O salário inicial de um professor-doutor na USP é de R$ 16.353,01 mensais. A bonificação, então, significaria um acréscimo de 27,5% nos vencimentos.
A aprovação ocorreu no principal órgão deliberativo da universidade, após semanas de debate. Parte da categoria docente vinha pedindo mais tempo para discussão e questionava a criação de remunerações variáveis em um momento de negociação salarial. Críticos da proposta afirmam que a criação do bônus pode fragmentar a carreira docente e enfraquecer a pressão por reajustes gerais.
Já a reitoria sustenta que a medida busca valorizar atividades específicas e ampliar a atuação acadêmica em áreas consideradas prioritárias. Para viabilizar a nova gratificação, o conselho também aprovou mudanças em normas internas relacionadas ao controle de despesas com pessoal, flexibilizando critérios que hoje limitam a concessão de pagamentos adicionais.
A decisão deve ter desdobramentos nas negociações salariais em curso e tende a manter a tensão entre a administração central e as diferentes categorias da universidade. Enquanto o conselho se reunia, servidores técnico-administrativos da USP realizavam protestos na Cidade Universitária. Eles anunciaram greve para os próximos dias.
Os trabalhadores chamam a medida de elitista e afirmam que, enquanto os docentes recebem benefícios, as pautas dos servidores são negligenciadas.
"Queremos tratamento isonômico entre funcionários e professores. Não podemos aceitar R$ 4.500 para eles e nada para nós e para o restante da comunidade universitária", diz, em comunicado, o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo).
A entidade pede reajuste fixo de R$ 1.200 nos salários, além de recomposição integral das perdas calculadas pela inflação desde 2012: 14,5%.
A USP possui atualmente mais de 5.300 professores. Os funcionários técnico-administrativos são 12.600, aproximadamente.
