SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Chegar de carro de aplicativo ou ônibus de linha é mais rápido que de metrô para quem vai do centro de São Paulo ao aeroporto de Congonhas, na zona sul paulistana.

Pelo menos foi o que constatou a reportagem nesta terça-feira (31), quando a linha 17-ouro foi inaugurada e, depois de 12 anos de espera, passou a oferecer metrô para quem vai ao aeroporto.

Prometido para a Copa de 2014, o monotrilho foi inaugurado nesta terça. A cerimônia teve a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Às 16h, quando a linha começou a operar para passageiros, a reportagem iniciou simultaneamente na praça da Sé, região central, três processos de viagens para Congonhas: de metrô, ônibus e carro de aplicativo.

Os embarques no metrô e no ônibus ocorreram ao mesmo tempo, às 16h06.

No caso do carro de aplicativo, do primeiro chamado até a saída, foram cerca de 12 minutos de espera, incluindo um intervalo de um minuto entre um cancelamento e a nova aceitação -o deslocamento teve início às 16h14.

No trajeto, o houve ao menos três pontos de trânsito. O principal deles ocorreu às 16h48, quando o carro permaneceu parado por cerca de sete minutos na avenida 23 de Maio, sob o viaduto General Marcondes Salgado.

A partir das 16h56, ao deixar a 23 de Maio, o trânsito passou a fluir melhor, com quase nenhuma interrupção e maior velocidade.

A chegada ao aeroporto de Congonhas ocorreu às 17h07, totalizando 53 minutos de deslocamento desde a saída e pouco mais de uma hora desde a primeira solicitação do carro.

O trajeto de ônibus entre a praça da Sé e o aeroporto de Congonhas foi feito pela linha 5185-10 (Terminal Guarapiranga).

O embarque ocorreu no início do horário de pico e sob chuva intensa na capital. Ainda sem a faixa exclusiva em operação, liberada apenas a partir das 17h, o trânsito se mantinha razoável.

Houve pontos de lentidão, como na Abílio Soares, próximo ao Círculo Militar (região do Ibirapuera).

Dentro do ônibus, o trajeto foi tranquilo. No entanto, já na altura do número 830 da avenida Moreira Guimarães, a apenas uma parada do destino final, o coletivo começou a encher e o trânsito se intensificou no entorno do aeroporto.

Ao final do percurso, a chuva havia cessado, o que facilitou a travessia pela passarela sobre a avenida Washington Luís. Apesar de reformado, o caminho ainda apresenta problemas. Na saída, as escadas estavam esburacadas, dificultando a circulação. A viagem terminou às 17h08.

No metrô, a novidade do dia, a viagem da Sé até a estação Santa Cruz, onde ocorreu a baldeação da linha 1-azul para a 5-lilas durou 13 minutos. Foram nove minutos entre o desembarque, caminhada até a plataforma e embarque no trem sentido Capão Redondo.

A viagem até estação Campo Belo, onde há a última integração, levou oito minutos -no trem já havia a aviso visual para o monotrilho.

O problema foi na chegada à nova estação. Não havia sinalização para a linha 17-ouro. Passageiros que iriam para Congonhas só descobriram que estavam na plataforma errada quando chegou o trem sentido Morumbi, do outro lado da linha. O vagão estava cheio, mas não lotado.

A reportagem chegou às 17h09 à estação Aeroporto de Congonhas, do outro lado da linha. A travessia via túnel levou oito minutos e terminou às 17h17 na entrada do aeroporto e às 17h19 na área de check-in. No total, a viagem de metrô levou 1h17.

Se foi mais rápido, o percurso com carro de aplicativo custou quase 15 vezes (R$ 79,76) a passagem de ônibus, a tarifa mais barata, a R$ 5,30. O metrô custa R$ 5,40.

LINHA DEVERÁ CRESCER

Na cerimônia desta terça, o Tarcísio anunciou o prolongamento da linha até a favela de Paraisópolis, na zona sul. Serão quatro novas estações em 4,6 km de trilhos: Panamby, Paraisópolis e Américo Maurano. Do outro lado da linha, o governador afirmou que será construída a estação Vila Paulista, depois da atual Washington Luís.

Segundo ele, a previsão é que neste ano o metrô realize os estudos técnicos do prolongamento do ramal e, no próximo ano, seja lançada a licitação para contratação da empresa responsável. As obras devem começar em 2028, disse o governador.

O ramal tem 8 km de extensão e conta com oito paradas, ligando a estação Morumbi ao aeroporto de Congonhas. Ele ter conexões com as linhas 5-lilás do metrô e com a 9-esmeralda, da CPTM.

A linha 17-ouro foi prometida para a Copa do Mundo de 2014 e seu desenho começou no Morumbi, porque inicialmente a previsão era de que o estádio do São Paulo sediaria jogos do torneio, o que não aconteceu -a bola rolou na arena do Corinthians, recém-construída na época, na zona leste.

Ao menos até setembro, o monotrilho em via elevada de até 15 metros de altura funcionará em horário reduzido, das 10h às 15h, com trens chegando em sete das oito estações do ramal, entre Morumbi e Aeroporto de Congonhas -a Washington Luís só deverá funcionar em 90 dias- a exceção foi nesta terça de inauguração, em que a operação foi das 16h às 20h.

Nesse primeiro momento, não haverá cobrança de passagem para quem embarca na linha 17 e o funcionamento será de segunda a sexta-feira. As estações não abrem aos sábados e domingos.

Dois trens irão circular em trajetos de ida e volta pela mesma linha. O tempo estimado de viagem pelas sete estações é de 14 minutos. A espera deverá ser de sete minutos.

Segundo o Metrô, espera-se que cerca de 93 mil pessoas usem o monotrilho diariamente, quando ele estiver em operação comercial nessa primeira fase, ainda sem a extensão.

"O que ficou como símbolo do atraso e da ineficiência está entregue. Estamos encerrando um ciclo de atraso", disse Tarcísio.