SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora dos EUA, aprovou nesta quarta-feira (01) um novo comprimido diário para perda de peso, a orforgliprona, da farmacêutica Eli Lilly, fabricante do Mounjaro.
Medicamento será vendido nos EUA com o nome Foundayo e entra na lista de remédios contra obesidade que não exigem injeção. De acordo com o The New York Times, a aprovação foi anunciada nesta quarta, e a empresa diz que a maior dose levou a uma perda média de cerca de 12% do peso após 72 semanas em pessoas com obesidade.
Orforgliprona é a segunda pílula diária para emagrecimento a chegar ao mercado. A outra é a versão em comprimido do Wegovy, da Novo Nordisk, aprovada em dezembro de 2025 e descrita como tendo a mesma substância do Ozempic, a semaglutida, com resultados de perda de peso parecidos em pessoas com obesidade.
Diferença prática entre as duas pílulas está no modo de tomar. A orforgliprona pode ser ingerida com ou sem comida em qualquer horário, enquanto o comprimido do Wegovy precisa ser tomado de manhã e em jejum. "Se você precisa ser muito rigoroso com o horário dos seus medicamentos, isso fica muito menos conveniente", disse ao NYT a médica Melanie Jay, diretora do Programa Abrangente de Obesidade da NYU Langone.
Preço e cobertura devem pesar na escolha do tratamento. Nos EUA, a menor dosagem vai custar US$ 149 sem seguro, valor definido em um acordo anunciado pelo governo Trump no ano passado; o Medicare vai cobrir o remédio para alguns pacientes, e especialistas esperam que muitos planos de saúde também incluam o produto.
Remédio imita um hormônio do corpo para reduzir apetite e ajudar a regular o açúcar no sangue. Em um estudo com pessoas com diabetes tipo 2, quem tomou a maior dose teve queda média de 2,2 pontos percentuais na hemoglobina A1C, medida usada para acompanhar a glicose, e a Eli Lilly pretende pedir ainda neste ano a aprovação do medicamento para diabetes.
Efeitos colaterais relatados foram semelhantes aos de remédios injetáveis para perda de peso. Os mais comuns foram problemas gastrointestinais, como náusea e diarreia.
Especialistas avaliam que a chegada de novas alternativas amplia a conversa entre médico e paciente. A médica Kristina Henderson Lewis, do conselho diretor do American Board of Obesity Medicine, disse ao NYT que a variedade permite comparar conveniência, perfil de efeitos colaterais e preço. "As pessoas podem começar a ter boas conversas com seu médico não só sobre qual é o remédio mais novo, mas sobre qual é o remédio certo para mim", afirmou.
