SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quarta-feira (01) em carta que o seu país não tem inimizade com os norte-americanos comuns.

Masoud Pezeshkian rejeitou as representações do Irã como uma ameaça à segurança dos EUA. Ele afirmou que isso não condiz com a "realidade histórica". "O Irã, por seu próprio nome, caráter e identidade, é uma das civilizações contínuas mais antigas da história da humanidade", escreveu ele em uma carta endereçada a cidadãos dos EUA, divulgada pela emissora estatal Press TV.

Ele argumentou que as representações do Irã como um perigo servem a interesses externos. "Tal percepção é produto dos caprichos políticos e econômicos dos poderosos, com a necessidade de fabricar um inimigo para justificar a pressão, manter a supremacia militar, sustentar a indústria bélica e controlar mercados estratégicos."

O presidente iraniano afirmou que o país não iniciou a atual guerra. Mas que apenas "repeliu com bravura" os ataques sofridos pelos EUA e por Israel.

IRÃ NEGOU PEDIDO DE CESSAR-FOGO DIVULGADO POR TRUMP

Afirmação de pedido de cessar-fogo é sem fundamento, segundo Abbas Araghchi, ministro iraniano. O presidente dos Estados Unidos afirmou nesta quarta que pedido de cessar-fogo foi feito pelo "novo presidente do país", a quem classificou como "muito menos radicalizado". "Bem mais inteligente que os seus antecessores", publicou o presidente dos EUA na Truth Social.

Não está claro se o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, tem poder para falar em nome do regime. O Irã tem um regime teocrático islâmico, em que o líder supremo, hoje Mojtaba Khamenei, governa e decide sobre as posições do país. Trump fará um pronunciamento televisionado sobre a guerra com o Irã às 22h desta quarta, no horário de Brasília.

A agência de notícias iraniana IRIB informou que Araghchi classificou a suposta trégua como especulação da mídia. Ele também teria dito que a guerra continuará até que "o agressor seja punido e a indenização integral seja paga ao Irã".

EUA só vão considerar trégua após liberação do Estreito de Hormuz, disse Trump. Ele advertiu que até que as embarcações possam circular livremente, os EUA vão continuar bombardeando o Irã "até sua destruição".

A Guarda Revolucionária do Irã reiterou nesta quarta, após postagem de Trump, que o Estreito de Hormuz permanecerá fechado para seus "inimigos". "A situação no Estreito de Hormuz também está totalmente sob o controle das forças navais da Guarda Revolucionária", segundo o exército ideológico em um comunicado divulgado pela televisão estatal.

Chanceler declarou nesta terça-feira (31) que o Irã não pediria trégua. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país não aceitaria um cessar-fogo com os Estados Unidos e Israel, mas apenas o fim da guerra. Declarações foram feitas em entrevista à Al Jazeera.

O ministro confirmou que mensagens foram trocadas com os EUA, seja diretamente ou por meio de aliados na região. Mas Abbas Araghchi ressaltou que isso não significa que o Irã esteja em negociações com Washington. "Recebo mensagens de Witkoff diretamente, como antes, e isso não significa que estejamos em negociações", disse ele.

Na última semana, o presidente dos EUA ameaçou explodir a infraestrutura vital iraniana. Na rede social Truth Social, Trump destacou que caso o Irã não concorde com sua proposta para encerrar a guerra e se o Estreito de Hormuz não for liberado "imediatamente" para negócios, ele irá autorizar a explosão de todas as suas usinas de geração de energia elétrica, poços de petróleo, da Ilha de Kharg e "possivelmente todas as usinas de dessalinização".

EUA VÃO SAIR DO IRÃ "MUITO RAPIDAMENTE" E RETORNAR SE NECESSÁRIO, DIZ TRUMP À REUTERS

Trump afirmou que os EUA sairão do Irã "muito rapidamente". Mas o presidente ressaltou que poderão retornar para "ataques pontuais, se necessário". Declarações foram feitas em entrevista à Reuters.

O republicano também afirmou que expressará seu desgosto com a Otan, aliança militar do Ocidente. Ele disse que está "realmente" considerando uma tentativa de retirar os Estados Unidos da organização.

O presidente dos EUA disse ainda que a ação dos EUA garantiu que o Irã não terá uma arma nuclear. "Eles não terão uma arma azes disso agora, e então eu irei embora, e levarei todos comigo, e se for preciso, voltaremos para fazer ataques pontuais", afirmou Trump.