Oito cães que eram utilizados em pesquisas no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais foram resgatados nesta terça-feira (1º), após anos de denúncias sobre as condições de abrigamento. Os animais foram encaminhados para um espaço estruturado em Juiz de Fora, onde passarão por acompanhamento veterinário e processo de reabilitação, com objetivo de futura adoção.
O caso teve início em 2019, quando vieram à tona relatos sobre as condições em um biotério vinculado ao instituto, utilizado para pesquisas científicas, prática permitida pela legislação brasileira, desde que respeite normas de bem-estar animal. As denúncias apontavam possíveis irregularidades, como ambiente inadequado e relatos de animais com lesões, o que mobilizou protetores e entidades.
A articulação para retirada dos cães ganhou força ao longo de 2025, após a atuação de agentes públicos e organizações da causa animal. Segundo a ex-deputada federal Kátia Dias, que acompanhou o caso, a mobilização envolveu denúncias formais, visitas técnicas e tratativas institucionais até a formalização da transferência dos animais.
Os cães foram levados para um espaço mantido com apoio da ONG Ajuda ONG, que conta com estrutura adequada, incluindo baias, alimentação, higiene e acompanhamento especializado em comportamento animal. Durante a retirada, foi observado que alguns animais apresentavam sinais de medo e dificuldade de adaptação ao uso de guia e coleira.
De acordo com os responsáveis, os animais estavam em estado nutricional considerado adequado, mas apresentavam odor corporal intenso, associado ao ambiente em que viviam.
A formalização do resgate ocorreu por meio de termo de adoção, com disponibilização de prontuários e registros de vacinação recentes. O caso é resultado de um processo prolongado, que envolveu denúncias, mobilização social e medidas institucionais ao longo de vários anos.
