SÃO PAULO, SP, E OURO PRETO, MG (FOLHAPRESS) - Ouro Preto (MG) contou com as chamas da tradicional Procissão do Fogaréu para iluminar suas ruas na noite desta quinta-feira (2). A celebração religiosa levou turistas, fiéis e moradores a remontarem a perseguição sofrida por Jesus Cristo antes de sua crucificação.
A Procissão do Fogaréu encena a prisão de Cristo. Em mantos pretos, com tochas na mão, os farricocos, que representam os soldados romanos, caminham pelas ladeiras do Centro Histórico de Ouro Preto.
A comerciante Maria José, 64, da cidade de Ipatinga, a 200 quilômetros de Ouro preto, viajou à cidade histórica para sentir de perto a tradição da cerimônia. "É a primeira vez que eu acompanho essa procissão. Foi extremamente emocionante. Você sentia a prisão de Cristo, a injustiça que eles fizeram com ele no passado e ainda fazem."
A cerimônia deste ano teve como ponto de partida o Largo de Coimbra, de onde os fiéis saíram em cortejo penitencial pelas ruas históricas.
Após tomarem a imagem do Senhor de Bom Jesus na igreja de São Francisco de Assis, simbolizando a prisão no Horto das Oliveiras, seguiram pelo bairro Antônio Dias e foram até Santuário de Nossa Senhora da Conceição.
O rito do fogaréu deixou de ser realizado na cidade por mais de 100 anos. A tradição foi retomada em 2019 e apresentada apenas virtualmente nos anos da pandemia. Desde 2022, a cerimônia acontece todo ano, na Quinta-feira Santa, nas ruas de Ouro Preto.
Mauro Morim, coordenador da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, uns dos responsáveis pelo evento, informou que alguns pontos do trajeto são modificados em cada edição. "São 70 figurantes que estão participando esse ano. Desde que [a cerimônia] retornou, a gente tem feito algumas experiências para saber o que realmente dá certo".
O restaurador Gustavo Bastos, 26, participa do cortejo desde 2019 e foi um dos farricocos desta noite. "Um dos ritos mais fantásticos que eu acho realmente é essa questão do silêncio, dos sinos, de todo o ritual. E também a questão das tochas, que são esses fogos que circundam a procissão em volta do Cristo", comentou o jovem.
Também nesta quinta, Ouro Preto e outras cidades históricas de Minas Gerais realizaram o lava-pés, um dos ritos mais tradicionais da Semana Santa.
A passagem lembra a véspera da Paixão de Cristo, quando Jesus se reuniu com os apóstolos para a última ceia e lavou os seus pés, em uma lição de humildade.
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