BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Um vídeo repercutido em diversos veículos argentinos nesta sexta-feira (3) mostra Mariano Páez, pai da turista acusada de racismo no Rio de Janeiro, imitando um macaco -gesto que fez sua filha, Agostina, ser presa no Brasil no início de fevereiro.

As cenas foram compartilhadas primeiro pelo Info del Estero, site local de Santiago del Estero, onde Mariano e Agostina vivem. A advogada e influenciadora havia chegado à província no começo da noite desta quinta (2), horas antes do momento em que o vídeo teria sido gravado.

Além de ter imitado o gesto que a filha fez a funcionários negros de um bar em Ipanema, Mariano teria afirmado nas gravações que sente "repulsa pelo Estado". "Não vivo da política. Sou empresário, milionário e agiota. E traficante de drogas (...) um traficante de drogas particular", diz.

Segundo o jornal La Nación, uma segunda gravação da mesma noite mostra Mariano, um empresário do ramo dos transportes, afirmando ter pagado pela multa de R$ 97.620 que permitiu o retorno da filha à Argentina -metade do proposto como indenização às vítimas pelo Ministério Público.

Procurada, a defesa de Agostina disse que havia sido informada do episódio pouco tempo antes do contato e que o pai afirma que o vídeo foi feito com inteligência articial. "Nem ela nem nós, como seus advogados, podemos controlar ou nos responsabilizar pelas condutas de seu pai", afirmaram. "Ela está furiosa", complementaram.

Em seguida, Agostina se pronunciou em suas redes sociais.

"O que vemos é deplorável e eu condeno completamente. Assumo a responsabilidade pela minha parte: reconheci meus erros, pedi desculpas e enfrentei as consequências. Mas só posso responder pelos meus próprios atos", afirmou. "Ele [Mariano] estava lá e me apoiou durante esse momento difícil, mas eu não posso e não me cabe ser responsabilizada por suas ações."

Agostina, que também é influenciadora, tem se mantido ativa em suas redes sociais desde que retornou à Argentina. Nesta sexta, publicou uma sequência de fotos que a mostram sendo recebida com flores no aeroporto, posando ao lado de um cachorro e celebrando com amigos.

Dentre as publicações está uma foto com Patricia Bullrich, ex-ministra de Segurança do presidente Javier Milei. A senadora recebeu Agostina e Mariano em um café em Buenos Aires nesta quinta.

"Que alegria!", diz a política ao cumprimentá-la. "Estou muito feliz que esteja aqui", completa, antes de expressar indignação pela prisão da advogada. "Você viveu uma experiência que vai te fortalecer por toda a sua vida."

"Houve um grande trabalho realizado por seus advogados, o apoio inabalável de sua família e o respaldo do governo. Hoje, só uma coisa importa: ela está aqui", escreveu a senadora na publicação.

O caso teve início no dia 14 janeiro, quando, durante discussão pelo valor da conta em um bar em Ipanema, Agostina chamou um funcionário do estabelecimento de macaco, segundo a denúncia. Em seguida, ela foi gravada em vídeo imitando um macaco em direção aos funcionários.

Na época, a defesa negou que os gestos tivessem caráter racista e sustentou que a reação teria sido dirigida a amigas da argentina, em uma brincadeira.

No início de março, porém, a advogada admitiu pela primeira vez ter cometido um erro e pediu desculpas publicamente. "Por ignorância, eu não entendia o que era o racismo. Agora, estudando, ouvindo e aprendendo, entendo como isso é doloroso", afirmou na ocasião.

As desculpas ocorreram após ela trocar a equipe de defesa representada por um advogado argentino para um grupo conduzido por uma brasileira.

Nesta quinta, no entanto, Agostina afirmou que "houve muitas injustiças". "Tem sido muito difícil passar por isso sozinha", afirmou no aeroporto de Santiago del Estero ao ser questionada sobre o encontro com Bullrich, segundo o La Nación.

O caso teve grande repercussão na Argentina, especialmente após entrevistas da influenciadora à imprensa do país. No final de março, por exemplo, antes de um julgamento, Agostina afirmou ao jornal Clarín que não conseguia dormir e que os últimos meses estavam sendo "um pesadelo".

"Há a possibilidade de eu ir para a cadeia aqui no Brasil. Mas, se eu for presa, eu me mato, literalmente", afirmou na ocasião, ao lado de seu pai. "Esse linchamento está me matando. Parece que eles querem que eu morra."