SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Moradores de Cidade Tiradentes, na zona leste da cidade de São Paulo, fecharam vias com barricadas em chamas na noite desta sexta-feira (3) para protestar contra a morte da ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, 31, provocada por um tiro disparado por uma policial militar que patrulhava o bairro.
Segundo a Polícia Militar, 23 viaturas e 93 policiais foram deslocados para o local da manifestação que teve início no final da tarde e que terminou por volta das 20h. Não houve prisões ou feridos durante os protestos.
Procurada na noite desta sexta-feira, a Secretaria de Segurança Pública da gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não havia comentado até a publicação deste texto.
A ocorrência que desencadeou a revolta no bairro começou ainda na madrugada desta sexta, por volta das 3h.
Na versão contada pelos policiais, Thawanna e seu marido caminhavam na rua e, aparentemente, discutiam. O homem teria se desequilibrado e batido o braço no retrovisor da viatura.
A equipe alega ter retornado para verificar a situação e, então, o casal teria começado a gritar com os policiais. O homem teria desobedecido ordens para se afastar da viatura e, Thawanna, avançado contra a policial Yasmin Cursino Ferreira, que respondeu com um disparo.
A vítima foi levada ao Hospital Santa Marcelina, em Cidade Tiradentes, onde morreu.
Yasmin alega ter utilizado a força para cessar a agressão -Thawanna teria dado tapas no braço e no rosto da policial-, segundo a versão da equipe, registrada no boletim de ocorrência.
Essa versão é contestada pelo marido da vítima, o ajudante Luciano Gonçalves dos Santos, 31. Ele diz que a esposa gritou com os policiais após a viatura ter passado em alta velocidade pela via, quase atingindo o casal.
Santos afirma que a policial desceu da viatura e efetuou o disparo contra sua esposa. Ele também afirmou ter retirado sua blusa para demonstrar que não era uma ameaça, mas, mesmo assim, outros policiais utilizaram spray de pimenta contra ele.
O líder comunitário Erick Levi , 27, diz morar em frente ao trecho da rua em que Thawanna foi baleada e afirma ter testemunhado a discussão. Ele postou um vídeo em seu perfil da rede social Instagram. As imagens mostram uma mulher aparentemente ferida, deitada no asfalto, cercada por policiais.
Ele afirma ter acordado com o barulho de uma perseguição policial e, da laje da cada dele, observado que os policiais jogaram a viatura na direção do casal. Os agentes estariam irritados com provocações feitas por moradores.
Ao descer da viatura,Yasmin teria xingado Thawanna de "vagabunda" e, posteriormente, atingido a vítima com um chute e um murro. Ao reagir dando um um tapa na mão da policial, a moradora recebeu um tiro de pistola, diz Levi.
