SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Nasa transmitirá o sobrevoo lunar da Artemis 2, previsto para esta segunda-feira (6). Os quatro astronautas da missão vão fazer observações da superfície da Lua, descrevendo o que visualizarem e também fotografando áreas do satélite.

O início da transmissão da agência está agendado para as 14h, de Brasília. Os astronautas Reid Wiseman, 50, Victor Glover, 49, Christina Koch, 47, e Jeremy Hansen, 50, devem começar as atividades de observação, trabalhando em duplas, às 15h45.

A transmissão usará as imagens geradas pela câmera acoplada à cápsula Orion, que abriga os astronautas. "Vamos conseguir ver a Lua a uma distância que a tripulação consegue ver", afirmou Kelsey Young, líder da diretoria de missões científicas da Nasa.

Kelsey fez uma ressalva: "Vai estar muito escuro lá, então não vai parecer tão nítido e bem iluminado como nas fotografias".

Não será possível ouvir o áudio dos astronautas durante o sobrevoo.

A tripulação deve ter a oportunidade de ver cerca de 20% do lado oculto (nunca visível da Terra e também chamado de lado afastado).

Algumas partes do lado oculto, diz Kelsey, nunca foram vistas a olho nu. As missões Apollo, realizadas entre 1968 e 1972, priorizaram lançamentos em momentos em que o lado próximo estava iluminado -foi nesse lado, aliás, onde pousaram.

Os astronautas devem examinar as características das formações lunares e antigos fluxos de lava. Ao todo, há uma lista de 35 alvos. As informações colhidas, segundo a Nasa, podem vir a subsidiar pesquisas sobre a superfície do satélite. A expectativa é que sejam geradas milhares de imagens.

Houve um treinamento específico para essas atividades. Os astronautas aprenderam, por exemplo, a identificar ao menos 15 formações no solo lunar. Dessas, segundo a Nasa, a tripulação conseguirá ver ao menos cinco, independentemente do ponto onde estiverem e da iluminação no momento. Assim, poderão se orientar.

"Ao observarem os mesmos alvos mais de uma vez durante o sobrevoo, eles poderão fazer observações sobre o mesmo alvo em diferentes condições de iluminação que levariam dias, meses, semanas ou anos para algumas espaçonaves acumularem", explicou Kelsey, no sábado.

APAGÃO E ECLIPSE

Perto das 20h desta segunda-feira, a tripulação deve perder a comunicação com a equipe em Terra. Os sinais de rádio devem cair ao longo de 40 minutos, conforme uma estimativa. Mas isso é esperado, diz a Nasa, e também foi visto nas missões Artemis 1, no fim de 2022, e do programa Apollo.

Ainda na faixa das 20h, a cápsula deve atingir o ponto mais próximo da Lua (cerca de 6.500 quilômetros) e também o mais distante da Terra (aproximadamente 406 mil quilômetros).

Mais tarde, às 21h35, é esperado que os astronautas presenciem um eclipse solar. A Orion, a Lua e o Sol devem se alinhar, fazendo com que a estrela se posicione atrás da Lua por um intervalo estimado de uma hora.

As observações lunares devem ser concluídas às 22h20.

A missão, iniciada no dia 1º deste mês, deve se estender até a próxima sexta-feira (10), com o retorno dos astronautas à Terra. Esta é a primeira missão lunar com astronautas a bordo desde 1972, quando a Apollo 17 levou humanos pela última vez ao solo lunar.