SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil da Bahia investiga uma clínica médica na cidade de Irecê (478 km de Salvador) por possíveis irregularidades na realização de cirurgias oftalmológicas.

Ao menos 26 pacientes relataram perda total ou parcial da visão após passar por procedimentos no Ceom Day Hospital, clínica particular que também atende pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde).

Em nota, o Ceom afirma estar à disposição das autoridades, colaborando com as investigações e "confiante de que a apuração permitirá a adequada compreensão dos fatos".

Entre 28 de fevereiro e 1º de março de 2026, 143 pacientes da clínica realizaram um procedimento chamado terapia antiangiogênica, no qual medicamentos são injetados nos olhos para impedir a formação de novos vasos sanguíneos anormais sob a retina.

Os pacientes receberam aplicação de Avastin (bevacizumabe), medicamento oncológico produzido pelo laboratório Roche. Após os procedimentos, 26 pessoas relataram ardência nos olhos e hiperemia ocular, das quais 23 eram pacientes SUS.

Na segunda-feira (6), a Polícia Civil da Bahia cumpriu mandados de busca e apreensão na clínica, ocasião em que foram apreendidos prontuários médicos e documentos que poderão subsidiar as investigações. O trabalho é conduzido pela Delegacia de Irecê, que ainda vai ouvir testemunhas e periciar documentos.

A Secretaria de Saúde da Bahia afirma que a realização dos procedimentos é de responsabilidade exclusiva da clínica. A pasta diz que 81 pacientes foram encaminhados para consultas na clínica em janeiro e fevereiro e que o encaminhamento de novos pacientes para a unidade foi suspenso assim que tomaram conhecimento dos relatos de danos.

A pasta diz que a Vigilância Sanitária estadual fez inspeção na clínica e identificou irregularidades no armazenamento do medicamento Avastin, incluindo ausência de monitoramento adequado de temperatura na geladeira em que o produto era acondicionado e despreparo da equipe quanto a esses protocolos. O órgão agora aguarda o resultado das análises laboratoriais dos produtos apreendidos.

A clínica afirma que está prestando assistência aos pacientes e familiares e que disponibilizou cópias dos prontuários conforme as normas do CFM (Conselho Federal de Medicina). "O Ceom reitera seu compromisso com a ética, a segurança assistencial e o respeito aos pacientes."