BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Acampamento Terra Livre, a maior manifestação dos povos indígenas da América Latina, encerrou suas atividades, nesta sexta-feira (10), em Brasília, com a divulgação de uma carta em apoio a reeleição do presidente Lula (PT) ?ele foi convidado ao evento, mas não compareceu.

"A eleição de 2026 coloca o país diante de uma disputa direta entre o retorno de um projeto de morte e a continuidade de um campo democrático, onde seguimos organizados para disputar os rumos da sociedade e fortalecer a vida", diz trecho inicial da carta.

A carta é assinada pela Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) e suas organizações de base dos seis biomas do país, que também promovem o Acampamento Terra Livre há 22 anos na capital federal.

O documento criticou, ainda, o avanço da extrema-direita ao redor do mundo, com citações ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao Congresso brasileiro, que incluiu o marco temporal na Constituição Federal, que dificulta o processo de demarcação de terras indígenas.

"Hoje, essa lógica se reorganiza no cenário nacional e internacional com o avanço da extrema-direita, que transforma direitos em alvo e territórios em mercadoria. No Brasil, esse campo segue forte dentro do Congresso Nacional, que atua como inimigo dos povos ao impulsionar leis e projetos que matam nossos povos."

Por outro lado, o manifesto afirmou que os povos indígenas manterão posicionamento crítico a gestão do petista. "Diante desse cenário, afirmamos nosso apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026", declara. "[Mas] nosso apoio não é cego."

"Seguimos com autonomia para cobrar e pressionar politicamente os rumos das decisões que afetam nossas vidas. O que queremos está colocado com nitidez e precisa ser assumido como política de Estado", continua o documento.

Os indígenas criticaram, sem citar nome, o pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL), sobre sua fala em um evento de extrema direita, nos Estados Unidos, sobre a promessa de entregar a Trump as terras raras do Brasil como apoio político.

"Declarações sobre a entrega de terras raras ao regime autoritário de Donald Trump apontam esse caminho. Esse mesmo regime já atuou militarmente, neste ano, na Venezuela para roubar o petróleo existente na Amazônia. Essa disputa incide diretamente sobre nossos territórios."

A Apib divulgou também um relatório intitulado "Desmascarando o Lobby Mineral em Terras Indígenas no Brasil", o qual aponta que existem mais de 5 mil pedidos de exploração mineral na amazônia, sendo mais de 1.300 sobre terras indígenas.

O Acampamento Terra Livre iniciou, oficialmente, na segunda (6), no Eixo Cultural Ibero-americano, a antiga Funarte. Segundo a organização, mais de 7.000 indígenas participaram da programação, que contou com plenárias, marchas pelas ruas e noites culturais.

O evento, sob forte influência das eleições, abordou pautas diversas pautas políticas, como o incentivo a votos a candidatos indígenas, principalmente para fazer lobby no Congresso Nacional contra a bancada ruralista e "políticos anti-índigenas", como citam.

O tema deste ano foi "Nosso futuro não está a venda ? a resposta somos nós", contra grandes empreendimentos e obras que invadem ou querem atuar nos territórios, que causam devastação nos biomas brasileiros.

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O repórter viajou a convite da Aliança pela Volta Grande do Xingu