SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma mulher de 22 anos foi presa neste domingo (10) suspeita de disseminar conteúdo de ódio e incentivar violência extrema em redes sociais. A investigação aponta ligação dela com o ataque a uma escola municipal em Suzano, na Grande São Paulo.

A prisão foi realizada no Maranhão, com apoio da Polícia Civil local, a partir de investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Mogi das Cruzes.

O caso passou a ser apurado após o Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, identificar interações entre a suspeita e um jovem de 18 anos antes do ataque ocorrido na última terça-feira (7).

A Folha de S.Paulo apurou que as análises indicam que a mulher teria incentivado condutas violentas e demonstrado interesse em práticas semelhantes.

Na ocasião, o jovem invadiu a Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Ignez de Castro Almeida Mayer, em Suzano, com um facão e feriu uma professora. Segundo a Polícia Militar, ele pulou o muro da unidade por volta das 13h27 e tentou entrar em uma sala de aula, sendo impedido pela docente, que segurou a porta.

Outro funcionário acionou o botão de pânico, e o suspeito foi imobilizado por pessoas que estavam no local até a chegada da polícia, cerca de quatro minutos depois. A professora sofreu cortes nas mãos e foi levada ao Hospital Santa Maria. Após a ação, o jovem também se feriu e precisou de atendimento médico.

De acordo com os agentes que atenderam a ocorrência, ele afirmou que pretendia ferir o maior número possível de crianças. Ex-aluno da escola, o jovem teve a prisão em flagrante convertida em preventiva e segue detido.

A investigação que levou à prisão da mulher contou com apoio da agência norte-americana Homeland Security Investigations (HSI), que identificou interações suspeitas em ambiente digital e repassou as informações às autoridades brasileiras.

Com base nos elementos reunidos, a Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão temporária da investigada e mandados de busca e apreensão, que foram autorizados pela Vara das Garantias de Mogi das Cruzes. A decisão considerou indícios de autoria e a necessidade das medidas para o avanço da apuração.

A prisão ocorreu três dias após o ataque em Suzano. A mulher permanece presa no Maranhão, à disposição da Justiça. As investigações seguem para esclarecer se houve incentivo direto ao ataque e identificar possíveis outros envolvidos.

OUTRO CASO

Em 2019, outro caso de ataque a uma escola foi registrado em Suzano. Em 13 de março daquele ano, dois ex-alunos invadiram a Escola Estadual Professor Raul Brasil durante o intervalo e abriram fogo contra estudantes e funcionários.

Sete pessoas foram mortas dentro da unidade?cinco alunos e duas funcionárias?e outras 11 ficaram feridas. Antes de entrar no colégio, a dupla também havia baleado o dono de uma locadora próxima, que morreu.

Após o atentado, um dos autores matou o comparsa e, em seguida, se suicidou.

O episódio provocou forte comoção no país e mobilizou autoridades. A cidade foi marcada por velórios e homenagens às vítimas, enquanto a escola permaneceu fechada. A unidade foi reaberta dias depois, com a adoção de medidas de acolhimento psicológico para alunos, professores e familiares, em meio ao impacto da tragédia.

O caso se tornou uma referência nos debates sobre violência em ambiente escolar no Brasil e passou a ser citado em discussões sobre segurança nas escolas, circulação de armas e prevenção de ataques.