SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um grupo de moradores protestou no último sábado (11) contra um recurso da dona do prédio em São Paulo onde está localizada a Escola Panamericana de Artes de São Paulo, a Keeva Investimentos, que pode levar o Conpresp (conselho de patromônio municipal) a rever o tombamento do imóvel.
A manifestação, organizada pelo Coletivo Pró-Higienópolis e pelo grupo Urban Sketchers, ocorreu em frente à sede do edifício, na avenida Angélica, e reuniu, além de moradores, o próprio arquiteto responsável pela projeção do imóvel ?o professor Siegbert Zanettini, 91.
O prédio da Panamericana foi inaugurado em 1998 e tombado em 2024, medida aprovada pelo Conpresp a partir de um requerimento da Appit (Associação dos Proprietários, Protetores e Usuários de Imóveis Tombados).
A entidade argumentou que o imóvel tem relevante valor cultural e disse, entre outras coisas, que o edifício é um "verdadeiro 'professor' aos alunos das áreas ligadas às artes em geral que são os principais frequentadores do espaço".
A Panamericana pertence hoje ao conglomerado educacional da ESPM, a Escola Superior de Propaganda e Marketing.
A decisão pelo tombamento concordou com as alegações e disse que o edifício tem "características importantes da linguagem pós-moderna e do urbanismo paulistano do final do século 20".
Afirmou também que há na construção "elementos reconhecíveis e excepcionais com tipologia construtiva que adota sistema estrutural em aço e atesta um patamar tecnológico alinhado às melhores práticas internacionais".
A medida contrariou a Keeva, contrária ao tombamento, que recorreu da decisão.
A empresa declarou em manifestação encaminhada ao Conpresp em fevereiro deste ano que o tombamento ocorre "mesmo diante de enormes dúvidas acerca de seus valores arquitetônicos e culturais".
"O imóvel não constitui exemplar inaugural, tampouco apresenta solução estrutural exclusiva ou pioneira que lhe confira caráter singular", afirma a Keeva, para quem o tombamento foi equivocado porque a decisão foi tomada sem a "verificação de qualquer vínculo afetivo à edificação ora tombada".
"A qualidade arquitetônica do projeto, assim como a relevância profissional de seu autor ou da instituição que ali exerce suas atividades, não se confundem com excepcionalidade jurídica apta a justificar restrição permanente ao direito de propriedade", diz a empresa.
O recurso está sob análise do Conpresp, que pode ou não concordar com seus fundamentos. Em nota, a gestão Ricardo Nunes (MDB) declarou à Folha que "o processo de proteção do edifício da Escola Panamericana de Artes segue o rito previsto em lei e atualmente se encontra em fase de recurso".
A manifestação des sábado foi contrária à possibilidade de acolhimento.
Dezenas de pessoas permaneceram no local para desenhar a sede da Panamericana para, segundo o Pró-Higienópolis, "resgatar o seu desígnio" e manter vivas sua memória e sua identidade.
"Por que será que querem destombar? Isso significa que podem modificar tudo e até demolir essa maravilha da arquitetura de nossa cidade", disse o vereador da capital paulista Eliseu Gabriel (PSB) num vídeo publicado nas redes sociais neste sábado.
"Não se trata de defender um patrimônio, mas de defender a cidade, que precisa respeitar sua história", emendou.
Responsável pelo projeto, o arquiteto Siegbert Zanettini disse em vídeo recente publicado pelo coletivo Pró-Higienópolis que o destombamento é "inconcebível".
"Eu não consigo entender como um órgão ligado ao patrimônio histórico e cultural da cidade pode, sem nenhuma explicação, desmontar tudo isso e aceitar o que virá. Normalmente a gente sabe o que virá: mais massa construída, sem nenhum critério", declarou.
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