SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Governo do Estado de São Paulo destinará este ano cerca de R$ 195 milhões para ampliar o monitoramento climático e realizar obras de prevenção contra eventos extremos em todo o estado, e a principal ação vai ser a compra de oito novos radares meteorológicos, que se juntarão aos sete existentes para fortalecer a capacidade de previsão e emissão de alertas em todo o território paulista.
O pacote de investimentos será divulgado na manhã desta terça-feira (14) em evento no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, na zona sul de São Paulo, para comemorar os 50 anos da Defesa Civil paulista.
Além da aquisição dos radares, que deverão custar R$ 110 milhões, em parceria com a USP (Universidade de São Paulo) e a SP Águas, os repasses serão usados na execução de obras de prevenção a desastres, na compra de viaturas e caminhões-pipa, além de investimentos em tecnologia, pesquisa e fortalecimento das defesas civis municipais.
"A Defesa Civil de São Paulo chega aos 50 anos vivendo o maior ciclo de transformação da sua história. Estamos ampliando investimentos, incorporando tecnologia e fortalecendo os municípios para agir cada vez mais antes que o desastre aconteça. Nosso compromisso é claro: salvar vidas por meio da prevenção, da integração e da informação", destacou o coronel Rinaldo de Araujo Monteiro, coordenador estadual da Defesa Civil.
Atualmente, o estado de São Paulo conta com sete radares meteorológicos, dois deles adquiridos recentemente -o de Ilhabela, que monitora todo o litoral norte e a Baixada Santista, e outro instalado em Campinas, que cobre uma área de 100 quilômetros quadrados. Dos sete radares, um é gerido pela SP Águas, dois são geridos pela USP, três pela Unesp e um pela Unicamp.
Em janeiro de 2025, a gestão Tarcísio de Freitas instituiu o CePram (Centro Paulista de Radares e Alertas Meteorológicos), departamento que faz a integração dos radares e equipamentos disponíveis. Ele funciona sob a gestão da Defesa Civil estadual e conta com profissionais especializados como meteorologistas, hidrólogos e geólogos.
O pacote inclui a contratação de 40 novas obras de defesa civil, a um custo de mais de R$ 47,6 milhões, além da inauguração de 12 obras já concluídas, voltadas à redução de riscos em áreas vulneráveis e ao aumento da resiliência dos municípios, com R$ 7,6 milhões já aplicados.
Em parceria com o Fundo Social do Estado, a Defesa Civil também comprará 38 caminhões-pipa, com investimento superior a R$ 19,7 milhões, e formalizará convênios com municípios para aquisição de equipamentos e veículos, com recursos provenientes de emendas impositivas, no valor de R$ 1,35 milhão, ampliando a capacidade de resposta local.
O órgão também contará com 34 novas viaturas, equipadas com kits de combate a incêndio, além de 6 caminhões-pipa, reforçando a Operação SP Sem Fogo, diante da previsão de estiagem mais severa neste ano durante o inverno.
Outra parte do investimento, no valor de R$ 1,2 milhão, será usada na contratação de dois novos mapeamentos de risco para a cidade de São Sebastião, no litoral norte. Desde 2023, quando um temporal destruiu o município e deixou 64 mortos, já foram investidos R$ 13,5 milhões nessa área, volume três vezes superior ao aplicado entre 2004 e 2022.
A Defesa Civil ainda anunciará a parceria com a Natura para a criação e fortalecimento de Núcleos de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs) em áreas vulneráveis. As consultoras e colaboradores da empresa receberão capacitação técnica do órgão para atuar em várias regiões do estado, ampliando a atuação comunitária na prevenção e resposta a eventos climáticos extremos.
E, durante a festa, além de homenagear os agentes que atuaram em ocorrências de grande impacto, como a equipe de São Sebastião, também haverá o lançamento de um fotolivro dos 50 anos da Defesa Civil, que resgata a trajetória da instituição desde sua criação, em 1976.
