SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Estudantes da USP (Universidade de São Paulo) aprovaram uma paralisação nesta terça-feira (14). Na mesma data, os funcionários devem dar início a uma greve.

O motivo da mobilização das categorias é um bônus aprovado para professores da instituição, chamado de Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas).

A medida, aprovada pelo Conselho Universitário em 31 de março, cria um pagamento adicional de R$ 4.500 voltado a docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão. A iniciativa já vinha sendo discutida há anos e foi promessa de campanha do atual reitor, Aluisio Segurado, que assumiu o cargo neste ano.

Ela terá impacto anual de R$ 238,44 milhões aos cofres da USP. O pagamento será mensal, em parcelas fixas e irreajustáveis, por até 24 meses. Apenas docentes em regime de dedicação integral poderão ser contemplados.

O salário inicial de um professor-doutor na USP é de R$ 16.353,01 mensais. A bonificação representaria um acréscimo de 27,5% nesses vencimentos.

Os servidores, que aprovaram greve por unanimidade, classificam a medida como elitista. Segundo eles, enquanto os docentes recebem benefícios, as pautas dos demais funcionários são negligenciadas.

"Queremos tratamento isonômico entre funcionários e professores. Não podemos aceitar R$ 4.500 para eles e nada para nós e para o restante da comunidade universitária", diz, em comunicado, o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo).

A entidade pede reajuste fixo de R$ 1.200 nos salários, além da recomposição integral das perdas calculadas pela inflação desde 2012, estimadas em 14,5%.

Em nota publicada após a aprovação da gratificação, o reitor disse que a medida tem como objetivo promover a valorização das atividades acadêmicas e da carreira docente, "não apenas com vistas ao reconhecimento e à retenção de talentos, mas, igualmente, ao estímulo e à ampliação da excelência acadêmica como pressuposto do desenvolvimento social".

Segurado também afirmou que a instituição possui projetos para os servidores técnico-administrativos. Estaria em análise, por exemplo, a viabilidade econômico e de integração ao plano de carreira de uma proposta de valorização desse grupo.

A gestão anunciou ainda o reajuste dos benefícios concedidos aos servidores a partir de abril deste ano. O vale-alimentação passará de R$ 1.950 para R$ 2.050. O vale-refeição será aumentado de R$ 45 para R$ 65 por dia, além do reajuste de 14,3% do auxílio-saúde (pagamento em maio de 2026).

Hoje, a USP possui cerca de 12.600 funcionários técnico-administrativos. Não se sabe quantos deles vão aderir à greve, mas a paralisação deve interromper alguns serviços e atrasar o calendário da instituição. Há casos de provas adiadas, por exemplo.

Já os alunos devem se ausentar das aulas apenas nesta terça para protestar contra a Gace. Representantes de ao menos 40 cursos (na capital paulista e no interior) devem participar da paralisação.

O DCE (Diretório Central dos Estudantes) defende que a universidade deveria priorizar o investimento em medidas de permanência estudantil.

A entidade pede o aumento do número de bolsas do Pafpe (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil) ou o reajuste dos valores. Atualmente, ele oferece bolsas integrais de R$ 885 e parciais de R$ 335. A proposta do DCE é que isso seja elevado para R$ 1.000 e R$ 500, respectivamente.

No início deste semestre, foram disponibilizadas 2.500 vagas, sendo 2.254 integrais e 246 parciais. O custo ao ano para atender esse grupo de estudantes é de cerca de R$ 25 milhões.

Os estudantes também reclamam da qualidade de serviços como os restaurantes universitários. Nas últimas semanas, surgiram denúncias de refeições estragadas e com larvas sendo servidas, especialmente na Faculdade de Direito. As unidades são terceirizadas.

Sobre essas pautas, a USP diz que, em 2023, foi estabelecida uma política para dar suporte à permanência e a diferentes atividades de formação estudantil. Nesse contexto, incluíram-se as bolsas e auxílios de diferentes programas.

"O Papfe é uma política estruturada e consolidada, figurando entre as maiores iniciativas do país na área, com crescimento contínuo de investimentos. Para 2026, para o conjunto de programas está previsto um aporte de aproximadamente R$ 461 milhões, o que representa aumento de 8,25% em relação ao ano anterior", afirmou a instituição.

Os alunos contemplados são selecionados a partir de um questionário, que considera, dentre seus parâmetros, as situações de vulnerabilidade socioeconômica. Entre 2023 e 2025, 41,7% dos contemplados eram originários de famílias com renda menor que meio salário mínimo paulista (R$ 1.804), afirma a USP.

Em relação aos restaurantes universitários, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento disse que equipes técnicas do serviço de alimentação estão realizando visitas às unidades para apurar as ocorrências relatadas pelos estudantes e as medidas administrativas estão sendo tomadas.

No caso específico da Faculdade de Direito, a empresa responsável já foi formalmente advertida e foram realizadas duas reuniões com representantes estudantis e a direção da unidade para informar sobre o andamento do processo. Além disso, uma técnica em nutrição também foi designada para acompanhamento contínuo no local.anterior", afirmou a instituição.

Os alunos contemplados são selecionados a partir de um questionário, que considera, dentre seus parâmetros, as situações de vulnerabilidade socioeconômica. Entre 2023 e 2025, 41,7% dos contemplados eram originários de famílias com renda menor que meio salário mínimo paulista (R$ 1.804), afirma a USP.

Em relação aos restaurantes universitários, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento disse que equipes técnicas do serviço de alimentação estão realizando visitas às unidades para apurar as ocorrências relatadas pelos estudantes e as medidas administrativas estão sendo tomadas.

No caso específico da Faculdade de Direito, a empresa responsável já foi formalmente advertida e foram realizadas duas reuniões com representantes estudantis e a direção da unidade para informar sobre o andamento do processo. Além disso, uma técnica em nutrição também foi designada para acompanhamento contínuo no local.