SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No primeiro dia de outono deste ano, em 19 de março, o nível do sistema Cantareira estava em 42,7%, o volume mais baixo em dez anos, desde a crise hídrica. Nos dias seguintes, até houve uma melhora, devido às chuvas de fim de verão, atingindo o pico do ano em 44,1% de sua capacidade entre 24 e 26 de março. No entanto, a partir de então, o nível voltou a cair e, nesta segunda (13), era de apenas 43,7%.

A queda é pequena, mas gera preocupação na população da região metropolitana de São Paulo, que já convive com a redução de pressão da água nos canos no período noturno, o que acarreta falta d'água nas regiões mais altas. Como se prevê o fenômeno El Niño no segundo semestre, a expectativa é de que o período de estiagem se prolongue, acarretando a baixa dos reservatórios do Sudeste a níveis ainda piores do que os observados em 2025.

O Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) publicou uma nota técnica na semana passada com as previsões mais recentes sobre o desenvolvimento do El Niño. Conforme o documento, há mais de 80% de probabilidade de ocorrência do evento, possivelmente a partir do trimestre agosto-setembro-outubro, com intensidade estimada entre moderada e forte.

O órgão, porém, deixa claro que ainda é cedo para fazer projeções mais precisas, ou seja, a intensidade do fenômeno ainda é incerta.

Para entender a gravidade potencial do fenômeno previsto, vale lembrar que o pior El Niño, segundo especialistas, foi o de 2023 e 2024, justamente os anos mais quentes da história, que provocou grandes tragédias no Brasil, como as inundações no Rio Grande do Sul nos dois anos, secas e incêndios recorde no pantanal e na amazônia, e tórridas ondas de calor no Sudeste e no Centro-Oeste.

Antevendo esse cenário, a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) decidiu, no dia 9 de março, manter a redução da pressão da água no encanamento da região metropolitana em 10 horas, das 19h às 5h.

Na ocasião, embora o SIM (Sistema Integrado Metropolitano), composto por sete sistemas, estivesse com 50,7% de sua capacidade, o Cantareira estava com apenas 38,2%.

Devido à redução de pressão, segundo a Sabesp, do dia 27 de agosto passado até o fim de março foram economizados 126,46 bilhões de litros de água dos mananciais, ajudando a reduzir a queda no nível das represas. Essa economia é o equivalente ao consumo de 22,18 milhões de pessoas durante um mês.

A Sabesp destaca que esta medida é preventiva e temporária, mas não há prazo para terminar, ainda mais com o cenário de nova estiagem à frente.

A companhia também destaca que tem feito intervenções que incluem ampliação de estações de tratamento, novas estações de bombeamento, tubulações e válvulas de controle, além de ampliar o combate às perdas. "Entre outubro de 2025 e março de 2026, foram economizados 31 bilhões de litros de água, com mais de 60 mil manutenções preventivas e substituições de equipamentos e inspeções em mais de 17 mil quilômetros de rede. O volume recuperado equivale a 1.000 litros por segundo adicionais no sistema, ou o enchimento de duas caixas-d?água por segundo", informa a Sabesp.