SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ir para a escola, o que deveria ser parte de uma rotina tranquila para alunos e famílias, tem se tornado motivo de preocupação na zona norte de São Paulo. Episódios de violência, invasão e sensação de insegurança são relatados em diversas comunidades escolares da região.
Mãe de uma aluna, Gislaene ?que pediu para não ter o sobrenome divulgado? afirma que, desde que a filha ingressou, há três anos, na escola municipal de ensino fundamental Cássio da Costa Vidigal, no Jardim Joamar, a situação tem se agravado. Em um dos casos, em julho de 2025, a unidade foi invadida, e alimentos da merenda escolar roubados e espalhados pelo espaço.
Em outra ocasião, salas de aula foram reviradas. Alunos e professores precisaram ajudar na limpeza para retomar as atividades. Segundo ela, os pais não foram informados oficialmente do ocorrido no dia, e a situação só veio à tona durante uma reunião escolar.
A mãe também relata furtos recorrentes de hidrômetros, que teriam ocorrido ao menos três vezes, principalmente aos fins de semana. Com a falta de água, as aulas foram suspensas em algumas segundas-feiras, o que pegou as famílias de surpresa. "Só descobrimos quando levamos nossos filhos até a porta da escola", afirma.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação confirmou uma invasão na unidade em 23 de março, quando foram furtadas três válvulas de mictório e 15 torneiras, o que causou alagamento e interrupção temporária do abastecimento de água para realização de reparos. A pasta afirmou que a direção registrou boletim de ocorrência e solicitou reforço nas rondas da Guarda Civil Metropolitana no período noturno e aos fins de semana.
A secretaria também admite que o desabastecimento de água registrado em diferentes ocasiões foi causado por furtos e atos de vandalismo, como em julho de 2025, quando houve o furto de um hidrante.
A pasta também informou que câmeras de segurança foram danificadas e que a escola está providenciando novos equipamentos e sistemas de alarme, além de integrar a lista prioritária do programa Smart Sampa, da prefeitura.
Também foram relatados episódios de insegurança na escola municipal de educação infantil Marechal Odílio Denys, na Vila Roque. Segundo a mãe de um aluno da unidade municipal, que também pediu para não ser identificada, jovens em bicicleta costumam circular pela região perseguindo as famílias, com possíveis intenções de furto. Ela ainda diz que, em uma ocasião, precisou de ajuda do pai de um aluno ao perceber que estava sendo perseguida ao sair da escola para buscar a filha.
A mãe relata que entrou em contato com a escola e foi informada de que os jovens estariam tentando assaltar a unidade. A escola, então, solicitou as rondas escolares, que ocorrem apenas no período da tarde. No entanto, a mãe afirma que os casos de violência acontecem principalmente pela manhã.
A Secretaria Municipal de Segurança Urbana afirmou que a Guarda Civil Metropolitana realiza patrulhamento nas imediações das escolas e que novas visitas serão feitas para reforçar as medidas de segurança. A Polícia Militar do estado informou que intensificou o policiamento na região, com ações da Ronda Escolar.
Já a Polícia Civil declarou que, até o momento, não localizou registros formais dos casos citados e reforçou a importância do registro de ocorrências para investigação e definição de estratégias de segurança.
Além das instituições municipais, também há reclamações de insegurança em escolas estaduais. Evelin Yasmin, mãe de uma ex-aluna da escola Professora Raquel Assis Barreiros, relata que precisou retirar a filha da escola no mês passado após situações de brigas ocorridas no horário da saída.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do estado, a Polícia Civil localizou um registro de lesão corporal ocorrido no último dia 18, em que uma adolescente de 12 anos teria sido agredida por uma colega de classe. Foi requisitado exame de corpo de delito, e a responsável legal da vítima foi orientada quanto ao prazo para representação criminal, necessária para o prosseguimento da ocorrência, segundo a pasta.
Já Unidade Regional de Ensino (URE) Norte 2 declarou que houve um episódio recente de desentendimento durante aula de educação física, mas que a situação foi imediatamente contornada pelo professor e pela direção.
De acordo com a mãe, os estudantes costumam sair por volta das 21h e não há segurança no bairro. "O bairro não tem segurança nenhuma e é um local bem deserto de noite", acrescenta. Ela afirma que, nesse horário, jovens permaneciam em frente à escola, jogando pedras para dentro do pátio da unidade, onde ficam as crianças. Segundo a mãe, foi preciso acionar uma viatura da polícia em algumas ocasiões ao buscar a filha, devido à frequência de conflitos no local.
A SSP afirmou que a Polícia Militar intensificou as ações no entorno de escolas, com patrulhamento da Ronda Escolar e reforço nos horários de entrada e saída dos alunos. O órgão, no entanto, não informou a frequência do patrulhamento na região nem detalhou a presença policial no período noturno, apontado por responsáveis como o mais crítico.
Também há relato de uma tentativa de invasão seguida de agressão na noite de 26 de março na escola estadual Professor Walfredo Arantes Caldas, na Vila Souza, região Brasilândia, além de reclamações de outros episódios de violência ao longo deste ano, além de brigas recorrentes na porta da unidade. Famílias também dizem ter reivindicado rondas escolares.
A SSP afirma que a PM foi acionada e que três adolescentes foram abordados no interior da instituição e retirados do local, com a ocorrência encerrada sem feridos. Segundo a pasta, no entanto, não foi localizado registro formal do caso.
Já a Unidade Regional de Ensino (URE) Norte 1 informa que a direção da escola impediu a entrada de três homens, acionou a Ronda Escolar e que o boletim de ocorrência foi registrado, com inserção do caso na plataforma Conviva-SP.
